Vida de tomada

05/04/2003 by in category Diálogos, Vida das Coisas tagged as , , , with 0 and 0

Conversando com uma tomada de três pinos.

— Tá maluco, é?
— O que foi?
— Esse plug aí não entra em mim!
— Com não, sempre entrou?
— Pois é! Até que alguém com um pino a menos inventou de colocar um pino a mais em tudo quanto é plug de eletrodoméstico.
— Como assim?
— Olha bem! Esse plug tem três dedos! Antes eram só dois fazendo sinal de heavy metal, agora entrou um fuck you no meio.
— É mesmo! Pra que isso?
— Pra foder com a vida dos outros! Só pode! A pessoa não tem mais o que fazer, vai inventar furo. Faz buraco na camada de ozônio. Fura fila no banco. Agora isso! Tomada com três furos. Falou na televisão que é para evitar choque.
— Evitar choque!? Aqui em casa são duas tomadas em cada quarto, duas no banheiro, quatro na sala, duas no escritório, quatro na cozinha, duas na área de serviço e uma na garagem. Já estou em choque! Se tiver que trocar tudo, é blackout no orçamento.
— Calma! Falou na televisão que tem adaptador!
— Legal! Onde vende? Falou onde?
— Vende em qualquer loja de material elétrico.
— Vou lá comprar então.
— Melhor não. Melhor você esperar alguns meses. Estamos em abril, né? Melhor você esperar até dezembro pelo menos?
— Esperar por que?
— Falou que tem, mas acabou. 
— Puta merda!
— Aproveita que vai esperar até dezembro e pede um adaptador de presente pro papai noel. Só por garantia. Vai que demora mais pra repor o estoque.
— Mas papai noel não existe.
— Que besteira! O que você acha mais absurdo: existir papai noel, bicho papão, fada do dente, monstro do lago Ness, arroz de natal sem uva passa, gelo seco, ou tomada de três pinos?
— Tomada de três pinos!
— Então escreve logo a carta pro papai noel.

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Marcelo Ferrari


Nasci ontem. Quando fiz dez anos, completei dezoito. Tenho um chinelo azul com alça vermelha que não serve para poesia. Escrevo o que a inspiração põe e a expiração tira. Não uso heterônimos, sou usado por eles. Só sei ser sendo, dançar dançando, escrever escrevendo e ferrari ferrariando. Minha literatura não é pá pum e pronto! É pá pum escreve. Pá pum lê. Pá pum edita. Pá pum relê. Pá pum reedita. Pá pum rerelê. Pá pum rereedita. Até que pá puta que pari! Nunca estarei ponto! E pronto! Me imagine tocando violão. Sempre. Ininterruptamente.

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