Meu nome é Marcelo Ferrari. Nasci ontem. Quando fiz dez anos, completei dezoito. Tenho um chinelo azul com alça vermelha que não serve para poesia. Escrevo o que a inspiração põe e a expiração tira. Não uso heterônimos, sou usado por eles. Só sei ser sendo, dançar dançando, escrever escrevendo e ferrari ferrariando. Minha literatura não é pá pum e pronto! É pá pum escreve. Pá pum lê. Pá pum edita. Pá pum relê. Pá pum reedita. Pá pum rerelê. Pá pum rereedita. Até que pá puta que pari! Nunca estarei ponto! E pronto! Me imagine tocando violão. Sempre. Ininterruptamente.

   

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Bhagavad grita

25/04/2003 by na categoria Poemas tagged as , , , , with 0 and 0

Stanley Kubrick arremessou o osso no espaço
e não há mais espaço para o ócio.

Galinhas produzem ovos
para produzir omeletes
para produzir restaurantes
para produzir homens
para produzir (a) verdade.

Steven Spielberg foi de volta para o futuro
e não há mais tempo para o presente.

Galinhas para devir ovos
para devir omeletes
para devir restaurantes
para devir homens
para devir (a) verdade.

Aristóteles catalogou a caverna de Platão
e não há mais sombra de dúvida.

Galinhas são galinhas
ovos são ovos
restaurantes são restaurantes
homens são homens
e verdade é substantivo.

O verbo se fez mentira para gritar (a) verdade
e ao pé da letra o crucificamos.

Galinhas que bicam
ovos que fritam
restaurantes que ficam
homens que acreditam
na verdade, gitam.

Between
Big Belém
© 2018 · Marcelo Ferrari