Meu nome é Marcelo Ferrari. Nasci ontem. Quando fiz dez anos, completei dezoito. Tenho um chinelo azul com alça vermelha que não serve para poesia. Escrevo o que a inspiração põe e a expiração tira. Não uso heterônimos, sou usado por eles. Só sei ser sendo, dançar dançando, escrever escrevendo e ferrari ferrariando. Minha literatura não é pá pum e pronto! É pá pum escreve. Pá pum lê. Pá pum edita. Pá pum relê. Pá pum reedita. Pá pum rerelê. Pá pum rereedita. Até que pá puta que pari! Nunca estarei ponto! E pronto! Me imagine tocando violão. Sempre. Ininterruptamente.

   

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Morte por carnaval

14/04/2003 by na categoria Poemas tagged as , , , , with 0 and 0

Não sinto pesar na morte
sinto pesar no morto vivo
na fome meia boca
no tesão meia bomba
na transa meia foda
no doze meia dúzia
no porre meia dose
na vida meia sola.

Não tenho medo da morte
tenho morte no medo
do pecado capital
do pecado estadual
do pecado municipal
do pecado original
do pecado repetido
do predicado repartido.

Que a causa da minha morte
seja quarta-feira
prova viva de que
usei o coração
espremendo
cada gota
até me esgotar
em cinzas.

Morre um pouco
Motivo maior
© 2018 · Marcelo Ferrari