Refeição do amor

09/04/2003 by na categoria Crônicas tagged as , , with 0 and 0

O amor não abocanha você inteiro, feito bolacha, o amor lhe come pelas bordas, feito sol derretendo geleiras. O amor é irracional, mas não é burro, sabe que você não está pronto para amar. Então, o amor faz o simples, fica ao seu lado feito o mais fiel dos amigos. E, sendo livre, lhe oferece o pescoço para que você o prenda na coleira. Começou a refeição do amor. Você acredita que se tornou proprietário do amor, mas acabou de assinar o inquilinato. Você leva o amor para passear e o amor lhe segue incondicionalmente. Mas sendo que mão e coleira se tornam um braço só, o amor puxa você também. Um pouco hoje, outro pouco amanhã. Até a coleira mudar de nome e se chamar confiança. Até que o guia troque de lugar com o guiado. Até você confiar mais no amor do que nos seus próprios olhos. Até que o amor seja seus olhos. Pronto! O amor comeu você.

Redação musical
Reflexões de um bosta
© 2018 · Marcelo Ferrari