Meu nome é Marcelo Ferrari. Nasci ontem. Quando fiz dez anos, completei dezoito. Tenho um chinelo azul com alça vermelha que não serve para poesia. Escrevo o que a inspiração põe e a expiração tira. Não uso heterônimos, sou usado por eles. Só sei ser sendo, dançar dançando, escrever escrevendo e ferrari ferrariando. Minha literatura não é pá pum e pronto! É pá pum escreve. Pá pum lê. Pá pum edita. Pá pum relê. Pá pum reedita. Pá pum rerelê. Pá pum rereedita. Até que pá puta que pari! Nunca estarei ponto! E pronto! Me imagine tocando violão. Sempre. Ininterruptamente.

   

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Refeição do amor

09/04/2003 by na categoria Crônicas tagged as , , with 0 and 0

O amor não abocanha você inteiro, feito bolacha, o amor lhe come pelas bordas, feito sol derretendo geleiras. O amor é irracional, mas não é burro, sabe que você não está pronto para amar. Então, o amor faz o simples, fica ao seu lado feito o mais fiel dos amigos. E, sendo livre, lhe oferece o pescoço para que você o prenda na coleira. Começou a refeição do amor. Você acredita que se tornou proprietário do amor, mas acabou de assinar o inquilinato. Você leva o amor para passear e o amor lhe segue incondicionalmente. Mas sendo que mão e coleira se tornam um braço só, o amor puxa você também. Um pouco hoje, outro pouco amanhã. Até a coleira mudar de nome e se chamar confiança. Até que o guia troque de lugar com o guiado. Até você confiar mais no amor do que nos seus próprios olhos. Até que o amor seja seus olhos. Pronto! O amor comeu você.

Redação musical
Reflexões de um bosta
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