Meu nome é Marcelo Ferrari. Nasci ontem. Quando fiz dez anos, completei dezoito. Tenho um chinelo azul com alça vermelha que não serve para poesia. Escrevo o que a inspiração põe e a expiração tira. Não uso heterônimos, sou usado por eles. Só sei ser sendo, dançar dançando, escrever escrevendo e ferrari ferrariando. Minha literatura não é pá pum e pronto! É pá pum escreve. Pá pum lê. Pá pum edita. Pá pum relê. Pá pum reedita. Pá pum rerelê. Pá pum rereedita. Até que pá puta que pari! Nunca estarei ponto! E pronto! Me imagine tocando violão. Sempre. Ininterruptamente.

   

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Solidão e Muvuca

08/04/2003 by na categoria Crônicas tagged as , , , , with 0 and 0

Ser humano só faz sentido junto e misturado. Por isso reclamamos da poluição, da enchente, do trânsito, da violência, mas não saímos da muvuca. Gostamos mesmo é de bafafá. Somos favelados por natureza, independente de classe social. 

Adoro muvuca. É a diversidade que cria e alimenta o escritor em mim. Sem muvuca eu não teria para onde olhar nem o que contar. Mas adoro solidão também. Às vezes sinto como se a cidade estivesse me sugando por um canudinho do McDonald’s e me roubando feito trombadinha.

Em dias de overdose de convivência, me tranco no banheiro e toco violão no escuro. Notas longas para ouvir a reverberação do azulejo. Ou escrevo. Nada mais solitário e curativo do que escrever. Digito algumas centenas de caracteres mudos e me lembro da verdade. Não me pergunte que verdade, não teria como lhe dizer. Esse tipo de verdade só a solidão sabe explicar, pois só o que está só não tem para quem mentir.

Solidão e muvuca não são opções, são necessidades. E pior! Excludentes. Por isso entramos uns nos outros querendo sair e saímos querendo voltar. Por isso nos amamos e nos odiamos. O inferno é o outro. O paraíso também. 

Soldadinho de chumbo
Sovaco do Cristo
© 2018 · Marcelo Ferrari