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Skatista mais rico que conheço

30/11/2019 by na categoria Crônicas, Skatexto tagged as , , , with 0 and 0

Pajuaba vai trabalhar andando de skate. Ele usa um longboard. É um skate gigante, com rodas grandes e eixos bem largos. Tudo isso para que o skatista possa andar com segurança e velocidade pelas ruas mais esburacadas. Pajuaba é um dos professores da pista que frequento. Quando cheguei na pista pela primeira vez, ele já estava lá, ali, acolá, lá de novo, ali, etc. Entende? O cara tem formiga na bunda, não para quieto. E adora café. Caso perdido no quesito calma.

Posso contar muitas curiosidades sobre Pajuaba. Nos encontramos quase diariamente e é fácil perceber suas idiossincrasias. (Palavrinha complicada, né? Usei de propósito. Google it!) A idiossincrasia que quero destacar, ocorreu semana passada. Estava colocando as joelheiras e me preparando para começar o rolê, quando Pajuaba chegou segurando seu longboard. “Cadê o outro skate?”, perguntei. “Só trouxe esse hoje para não cair na tentação de andar. Tô quebrado de tanto que andei no final de semana. Preciso descansar as pernas e o joelho” ele me disse.

Achei estranhíssima aquela declaração de abstinência, mas respeitei (sem comentários). Fui andar na miniramp. Passado algum tempo, outro skatista chegou na pista e começou a andar comigo. Pajuaba sentou do lado da miniramp e ficou assistindo nosso rolê. Dava para ver o pé do cara coçando dentro do tênis. Quanto mais animado ficava o rolê, mais Pajuaba se coçava. Até que ele desistiu de resistir e caiu em tentação. Pegou o longboard e começou a andar na miniramp.

Essa história, baseada em fatos reais, ilustra para mim o que é riqueza. Pajuaba é financeiramente pobre. Está sempre contando os trocados para conseguir comprar uma coisinha ou outra. Mas nunca vi uma pessoa mais feliz só por poder andar de skate todo dia. Aí sim é riqueza! Tem gente que é rica de não ter o que fazer com o dinheiro e não tem 1% da felicidade do Pajuaba acertando uma manobra. Seu amor pelo skate é inspirador. Me faz ouvir Tim Maia: “Quando a gente ama, não pensa em dinheiro, só se quer amar, se quer amar, se quer amar…”

Skate no véio
Só preciso de quatro
© 2018 · Marcelo Ferrari