Meu nome é Marcelo Ferrari. Nasci ontem. Quando fiz dez anos, completei dezoito. Tenho um chinelo azul com alça vermelha que não serve para poesia. Escrevo o que a inspiração põe e a expiração tira. Não uso heterônimos, sou usado por eles. Só sei ser sendo, dançar dançando, escrever escrevendo e ferrari ferrariando. Minha literatura não é pá pum e pronto! É pá pum escreve. Pá pum lê. Pá pum edita. Pá pum relê. Pá pum reedita. Pá pum rerelê. Pá pum rereedita. Até que pá puta que pari! Nunca estarei ponto! E pronto! Me imagine tocando violão. Sempre. Ininterruptamente.

   

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Dono

23/04/2003 by na categoria Poemas tagged as , , with 0 and 0

Não usa coleira
Não corre atrás de osso
Tácagandando
Quando lhe perguntam o nome
responde desbocado:
— Dont know!
Tão fluentemente
que virava dono
— Dono do quê?
— Donodumeunariz!
responde
às vezes em russo
às vezes em urso
às vezes com cê-cedilha
às vezes com perna
de gafanhoto.

Dói pra caralho
É impossível lamber o cotovelo
© 2018 · Marcelo Ferrari