Meu nome é Marcelo Ferrari. Nasci ontem. Quando fiz dez anos, completei dezoito. Tenho um chinelo azul com alça vermelha que não serve para poesia. Escrevo o que a inspiração põe e a expiração tira. Não uso heterônimos, sou usado por eles. Só sei ser sendo, dançar dançando, escrever escrevendo e ferrari ferrariando. Minha literatura não é pá pum e pronto! É pá pum escreve. Pá pum lê. Pá pum edita. Pá pum relê. Pá pum reedita. Pá pum rerelê. Pá pum rereedita. Até que pá puta que pari! Nunca estarei ponto! E pronto! Me imagine tocando violão. Sempre. Ininterruptamente.

   

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Quem não é puta levante a mão

10/04/2003 by na categoria Crônicas tagged as , , , with 0 and 0

Na prática, todos fazemos sexo. Pelo menos todos que fazemos, fazemos. Na teoria, quem faz sexo para matar a fome de sexo, é praticante, quem faz sexo para a matar fome de arroz, feijão, bife à milanesa ou bolsa da Louis Vuitton, é puta. Por que a diferença teórica se a prática é a mesma?

Há quem diga que é por falta de amor. Se for isso, então, putas são putas por terem aquela qualidade que tanto idolatramos no mercado de trabalho: profissionalismo. Prostitutas fazem sexo por dinheiro. Tudo ao gosto do cliente: égua, ana, tiazinha, cadela, lolita, roberta. Profissionalismo ISO 9000. O cliente pode ser muçulmano, desdentado, padre, comunista, trissexual, oscambau. Pagou, gozou. 

Será que temos consciência do que significa profissionalismo? Acho que só tem um jeito de saber. Quem não é puta levante a mão! Vamos lá! Quem não abre as pernas para o que vem de César? Quem não dança na boquinha da garrafa de Adam Smith? Se alguém aqui tem consciência virgem, fale agora!

Ninguém!? Então, por que não paramos com a hipocrisia e descriminalizamos a putaria? Quem sabe nos tornamos melhores profissionais. Ou então, foda-se o profissionalismo! Pau no cu do dinheiro! Vamos trabalhar só para quem dá tesão de beijar na boca ou carinho de beijar na testa.

Quem me dera
Quero beijar um homem
© 2018 · Marcelo Ferrari