Galinhodromo

20/04/2003 by in category Crônicas tagged as , , , , , with 0 and 0

Dona Zefa vestiu sua fantasia, colocou um balde de ferro debaixo do braço e saiu do barracão rumo ao paiol onde o milho ficava guardado. No caminho, enquanto cruzava o terreiro, virou o balde em posição de tambor e começou a batucar uma folia de reis. Enquanto batia, emitia também um som de cuíca com a boca. As galinhas começaram a surgir das árvores, das cestas, das moitas e até de outras dimensões. Vinham hipnotizadas pelo samba caipira de Dona Zefa. Quando ela terminou de encher o balde de milho, foi para o meio do terreiro e começou a chacoalhar o milho dentro do balde. As galinhas rodavam ao redor de Dona Zefa feito carnaval de salão. Por um instante, o milho, Dona Zefa, as galinhas e o terreiro se tornaram indivisíveis. Quando o milho arremessado caiu no chão, o galinhodromo virou o farol da barra. Em menos de um minuto só sobraram cinzas. E dona Zefa voltou para o barracão.

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