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Caso do sanfoneiro por acaso

24/04/2003 by in category Crônicas tagged as , , with 0 and 0

Olhei pelo vidro e por acaso vi um sanfoneiro chegando. Por acaso ele era cego. Se sentou numa caixa de madeira, colocou o chapéu na frente e por acaso começou a tocar uma de minhas músicas favoritas de Luiz Gonzaga, Asa Branca.

Quando saí do banco, fui colocar algumas moedas no chapéu do sanfoneiro, mas por acaso, um transeunte cego de pressa, chutou o chapéu bem na hora que me aproximei. Foi nota para todo lado. Corri apanhá-las antes que o vento as furtasse. Recoloquei tudo no lugar de origem, acrescentei minhas moedas e fui para banca de revista.

Escolhi três revistinhas ao acaso e pedi para o jornaleiro calcular o preço. Quando ele me respondeu, contei meu dinheiro e percebi que não tinha o suficiente. Retirei uma revistinha do monte ao acaso e pedi que o jornaleiro recalculasse. O jornaleiro pegou meu dinheiro, colocou as três revistinhas num saco plástico e me disse que a falta de dinheiro não vinha ao caso. Agradeci e fui para o ponto de ônibus.

Dentro do ônibus, peguei o celular e somei o preço das revistinhas. O tanto que faltou para pagar as três revistinhas foi exatamente o tanto que por acaso dei ao sanfoneiro. Era caso de pouco dinheiro, mas muito acaso.

Casal maior da constelação
Cata lá no gol
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