Se me perguntarem o que acontece
Só saberei responder isso: dói
Se me perguntarem onde é a dor
Ainda assim, só responderei: dói
Dói aqui
Dói agora
Dói por dentro
Dói por fora
Dói aqui
Dói agora
Dói por fora
Dói aqui
Dói agora
Dói por dentro
Dói por fora
Poesia na orelha
Pimenta no olho alheio
Não tenho receio
Sou culpado
Sei que devo
Não vou negar
Mas chega de falar
Da boca pra fora
Remendo de pano
E assim a gente vai levando
Até Fróid explica
Deixa está
Pra ver como é que fica
Bota um pano quente
Quem sabe um dia de repente
Bode expiatório
E o provisório vira permanente
Dói!
Se me perguntarem o que acontece
Só saberei responder isso: dói
Se me perguntarem onde é a dor
Ainda assim, só responderei: dói
Dói aqui
Dói agora
Dói por dentro
Dói por fora
Dói aqui
Dói agora
Dói por dentro
Dói por fora
Poesia na orelha
Não tô aqui pra agradar ninguém
Faço parte sou também
É nóis, Queiróis
Eis a verdade
Última e primeira
Coletividade
Pelada, nua e crua, fodida
E brasileira
Descabelada, encardida
Filha de mãe solteira
Pedindo esmola no sinal fechado
Cheirando cola
Numa sacola de supermercado
Se me perguntarem o que acontece
Só saberei responder isso: dói
Se me perguntarem onde é a dor
Ainda assim, só responderei: dói
Dói aqui
Dói agora
Dói por dentro
Dói por fora
Dói aqui
Dói agora
Dói por fora
Dói aqui
Dói agora
Dói por dentro
Dói por fora