E agora, torcedor? A copa acabou, a luz do estádio apagou, os jogadores sumiram, a torcida calou. E agora, torcedor? Você que é sem nome, que zomba dos adversários, você que faz meme, que seca e que xinga? E agora, torcedor?
Está sem Messi, Mbappe, CR7, Neymar, Galvão Bueno. Já não pode ganhar, já não pode perder, bolão já não pode, só tem Netflix, Caldeirão do Hulk. As oitavas já vieram, as quartas já vieram, e tudo acabou e a rotina voltou. E agora, torcedor?
A camisa amarela, o grito de gol, o álbum de figurinha, o favoritismo, a cueca da sorte, o amigo pé frio, sua paixão, seu ódio — e agora?
Com o controle na mão, quer ver o voleio, ver Marrocos na final, ver goleiro defendendo pênalti, mas é fim de jogo; quer ir para o estádio, estádio não há mais. Torcedor, e agora?
Sozinho no escuro, sem prorrogação, sem decisão por pênaltis, sem acréscimos, você espera, torcedor, por mais quatro anos.