Joia de família

17/04/2003 by in category Diálogos tagged as , , , with 0 and 0

— Toma pra você.
— O que é isto, pai?
— É um problema.
— O que faço com isso?
— Sei lá! Se vira!
— Quero não, obrigado.
— Tarde demais, é seu.
— Como meu?
— Dei está dado.
— Já bastam os meus.
— Entendo, por isso te dei esse.
— Como assim?
— Devemos repartir o que temos.
— Você só tem problemas.
— Tinha! Muitos! Dei a maioria.
— Quer dizer que você guardou alguns problemas com você.
— Claro! Esse é o segredo.
— Não entendo.
— Se você der todos seus problemas não vai ter nada com o que se ocupar e isso será um enorme problema.
— Com quais você ficou?
— Só com os mais simples: regar as plantas, transar à luz de velas…
— Do que se trata esse problema que você me deu?
— É um problema metafísico.
— Você não se interessa mais por esses assuntos?
— Nunca me interessei! Esse problema veio na herança. Seu bisavô era filósofo e passou o problema para o meu pai e meu pai me deu quando tinha catorze anos. É uma joia de família.
— Pai, sou homem, não uso joias.
— Problema seu!

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Espalhe a palavra!

Marcelo Ferrari


Nasci ontem. Quando fiz dez anos, completei dezoito. Tenho um chinelo azul com alça vermelha que não serve para poesia. Escrevo o que a inspiração põe e a expiração tira. Não uso heterônimos, sou usado por eles. Só sei ser sendo, dançar dançando, escrever escrevendo e ferrari ferrariando. Minha literatura não é pá pum e pronto! É pá pum escreve. Pá pum lê. Pá pum edita. Pá pum relê. Pá pum reedita. Pá pum rerelê. Pá pum rereedita. Até que pá puta que pari! Nunca estarei ponto! E pronto! Me imagine tocando violão. Sempre. Ininterruptamente.

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