Trezentas toneladas
De concreto duro
Cercada por um muro
Aonde? No bairro Brasil!
Coincidência? Não, tio!
O Brasil não conhece o Brasil
Perto da igreja São Cristóvão
Caminho pro centro
— Que será que tem aí dentro?
Usando um esqueite de escada
Três moleque subiram
E foram dar um cheque
Empresa falida e abandonada
Mato a perder de vista
Cheio de telha quebrada
Esqueitista é estranho
Com muito pouco juízo
E no inferno viram o paraíso
Pularam todos os guépis
Andaram até as perna fica torta
Foi a alegria dos muleque
Cê loco! Bora chamar a geral
Pra conhecer esse pico
Ajudar a dar um grau
Assim nasceu o galpão
No meio do capim
Só que essa história
Não termina assim
O que fizeram com você
Fazem com a gente todo dia
É desfeita, é covardia!
É covardia, é desfeita
Eu entendi no primeiro dia
Que passei por sua porta estreita
O que fizeram com você
Fazem com a gente todo dia
É desfeita, é covardia!
É covardia, é desfeita
Eu entendi no primeiro dia
Que passei por sua porta estreita
Eu entendi no primeiro dia
Que passei por sua porta estreita
O sonho começou pequeno
Varrendo a sujeira
Removendo viga de madeira
Depois a rampa e o latão do jama
O sonho foi ficando grande
E ganhando fama
Todo dia tinha gente nova
Galera garrada no rolê
O Pórva tá de prova!
Branco, preto, azul e amarelo
Modelo vinha tirar fotografia
Mendigo pé de chinelo
Grafitaram as paredes
O galpão virou obra de arte
Cenário de vídeo parte
Vinte anos de ocupação
A lei diz que basta dez
Pra fazer usucapião
Então chegou a imobiliária
Preocupada com a situação
E com a conta bancária
Meteram um cadeado
Sem esqueite no galpão
Fica decretado!
Revolta! Derrubaram o portão
Chamaram a polícia
Passou na televisão
Quebraram em uma hora
O sonho de uma vida inteira
O último rolê no galpão
Foi de uma britadeira