A professora leu minha redação em voz alta e disse que eu tinha veia poética. Fiquei preocupado. Minha turma era da pesada, ter veia poética pegava mal. Mas fiquei curioso.
Quando acabou a aula fui conversar com a professora e perguntei: “O que é poesia?”. A professora abriu o livro de gramática e disse: “São esses textinhos que não chegam ao final do parágrafo”.
Li vários textinhos do livro de gramática. Não entendi o que era poesia. Mas um daqueles textinhos ficou repetindo na minha cabeça: “o poeta é um fingidor / finge tão completamente / que chega a fingir que é dor / a dor que deveras sente”.
Depois fui jogar futebol. Quando voltei já tinha me esquecido da veia. Só que a veia jamais se esqueceu de mim. Hoje em dia escrevo textinhos que não chegam ao final do parágrafo. Alguns me chamam de poeta. Devo fingir bem.