Tamanho do nosso desagrado

29/09/2018 by na categoria Crônicas tagged as , , with 0 and 0

Um amigo me sugeriu escrever sobre as eleições e sobre os candidatos. Respondi que gosto de política, mas não gosto de partidarismo. Ele entendeu. Eu parei de pensar na sugestão. Só que eu tenho facebook e whastapp, uso diariamente ambos para trabalhar, então, não tem como ficar alheio as tretas partidaristas. Mas ainda assim, nada havia me motivado a escrever sobre o assunto, até que ontem entendi que nosso dilema político atual é se optamos pela mentira ou pela ditadura.

Para dar nome aos bois sem dar nome nenhum: eles representam a mentira e ele representa a ditadura. Claro que não queremos nenhuma coisa nem outra. Somos o país do x-salada. Como observou Oswald de Andrade, se tem uma coisa que gostamos e sabemos fazer é antropofagia cultural, famosa mistureba. Então, óbvio: #elenão significa #ditaduranão. Só que também não aguentamos mais ser enganados por quem nos convida para brincar de troca-troca, come nosso cu, e depois, quando chega na sua vez de dar, decide mudar de brincadeira. Socialismo com o cu dos outros é refresco.

Diz a filosofia que o ser humano é um animal social. Então, é da natureza do ser humano ser socialista. Não um socialismo dogmático e acadêmico, mas um socialismo do tipo festa na laje, que cada um leva um prato de salgado e todos fazem a festa. Por isso queremos votar neles ao invés de votar nele. Não queremos transformar a festa na laje em desfile de sete de setembro. Mas, mas, maaaaz, infelizmente, chegamos a um ponto em que só tem fila boia na festa.

Ou seja, o incômodo de votar nele não é apenas ideológico, é genético. Somos socialistas por natureza humana. Não queremos votar nele. Mas ao que tudo indica, vamos votar nelesim. Estamos tão de saco cheio de sermos enganados pelos faladores que estamos até dispostos a votar nos ditadores, que eu até escrevi sobre política. Eis o tamanho do nosso desagrado.

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© 2018 · Marcelo Ferrari