Sovaco do Cristo

08/04/2003 by na categoria Crônicas tagged as , , , , with 0 and 0

Fui no Cristo Redentor pela segunda vez. Não lembrava mais o inferno que é preciso escalar para chegar no céu. Sobe de van. Desembarca. Pega outra van. Desembarca. Sobe de escada. E o sol? Foda! Pensei em escrever escaldante, mas tava foda mesmo. Rio 40 graus.

Era 12 de outubro, dia de Nossa Senhora Aparecida. Tinha uma banda de coreto tocando Cidade Maravilhosa… Tinha uma banda de coreto tocando Cidade Maravilhosa… Tinha uma banda de coreto tocando Cidade Maravilhosa… Tinha uma banda de coreto tocando Cidade Maravilhosa… Tinha uma banda de coreto tocando Cidade Maravilhosa… Tinha uma banda de coreto tocando Cidade Maravilhosa… Entendeu?

O povo todo ajoelhado em frente a estátua. Pensei que era romeiro pagando promessa. Nada disso. Era estratégia para tirar selfie com o galã do morro, o Zé grandão.

Um sol fooooda! Muito foda! Já falei, né? Pois é! Depois da selfie, engarrafamento no parapeito, para olhar para baixo e ver as curvas da Guanabara. Muita conversa. Todos os idiomas sendo pronunciados ao mesmo tempo. Um calooooooor do caraaaaalho! Muito foda! Já falei, né? Pois é!

Fui buscar sombra e redenção debaixo do sovaco do Cristo. Descobri duas coisas. A primeira é que, como todo filho, o Cristo também não gosta de tomar banho e lavar o sovaco. A segunda, é que subimos para olhar para baixo e descemos para olhar para cima.

Solidão e Muvuca
Tamanho do nosso desagrado
© 2018 · Marcelo Ferrari