Ser Humano Futebol Inútil

26/06/2018 by na categoria Crônicas, SHFC tagged as , , , with 0 and 0

Somos seres que pensam, por isso existimos. Aliás, por isso sabemos que existimos. Pelo menos era isso que Descartes pensava. Agora que Descartes não pensa mais, talvez tenha mudado de ideia. Mas enfim, pensar é o que nos possibilita classificar e atribuir valor. Bom e ruim, por exemplo.

Mas o que é bom e ruim? Quando alguém diz que um jogador é bom e outro é ruim, o que está sendo dito? E por que nossas opiniões são discordantes? Por que bom e ruim nunca é unânime? A resposta para essa pergunta é a diversidade de critério de avaliação. Segundo o critério feminino, por exemplo, o melhor jogador de futebol do mundo é o Brad Pitt e não o Pelé, pois o critério feminino se baseia na beleza e não na habilidade do jogador em jogar bola.

É aí que começa o problema do futebol, e mais especificamente, do futebol arte. O futebol, assim como a arte, não é uma atividade profissional, é uma atividade lúdica. Fazemos música, cantamos canções, dançamos, fazemos sexo, contamos piadas, inventamos histórias, soltamos pipa e jogamos futebol por prazer. Atividades lúdicas tem fim em si mesmas, visam o aproveitamento do meio, não são como as atividades profissionais que visam produtividade e resultado. Então, bom e ruim, no critério lúdico, expressa quão prazerosa é uma atividade. Só que o capitalismo tem esse poder de profissionalizar tudo que é lúdico para depois nos vender bem caro o que é de graça. E o capitalismo profissionalizou o futebol.

Maldito dia! Maldito Max Weber! Mas enfim, o critério de bom e ruim do profissionalismo não é o prazer, é a utilidade. O profissionalismo não é humano, é maquinal. Para o profissionalismo, o bom é o útil, o que tem serventia, o que serve para produzir o resultado final, ou seja, placar final. Só que prazer é inútil. Prazer não serve pra nada. Prazer só serve para ser feliz.

Eis porque, profissionalmente falando, melhor é um jogador com desempenho ISSO 9000 como o CR7 do que um driblador inútil como o Neymar. E assim chegamos ao dilema dos brasileiros: tupi or not tupi? Quer dizer, ganhar ou ser feliz? “Ganhar é ser feliz!” pensamos. Só que esse pensamento não é nosso, é uma atendente de telemarketing falando dentro da nossa cabeça.

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© 2018 · Marcelo Ferrari