Meu nome é Marcelo Ferrari. Nasci ontem. Quando fiz dez anos, completei dezoito. Tenho um chinelo azul com alça vermelha que não serve para poesia. Escrevo o que a inspiração põe e a expiração tira. Não uso heterônimos, sou usado por eles. Só sei ser sendo, dançar dançando, escrever escrevendo e ferrari ferrariando. Minha literatura não é pá pum e pronto! É pá pum escreve. Pá pum lê. Pá pum edita. Pá pum relê. Pá pum reedita. Pá pum rerelê. Pá pum rereedita. Até que pá puta que pari! Nunca estarei ponto! E pronto! Me imagine tocando violão. Sempre. Ininterruptamente.

   

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Primeira vez de um sóbrio

11/04/2003 by na categoria Crônicas tagged as , , , with 0 and 0

Pessoa tinha a voz do Tim Maia, o humor do Tim Maia, a barriga do Tim Maia e a veia cheia de ratos do Cazuza. Nossa amizade era AA (artística e alcoólica). Certa vez, convidei Pessoa para cantar num show de rock, na banda que participava.

“É sério? Nunca cantei com uma banda antes!”, ele exclamou.

Pessoa ficou tão entusiasmado que chegou sóbrio para três ensaio as 10 da manhã. Sua voz calibre 12 encaixou feito pinto nas letras embucetadas da banda. Por três vezes fomos John e Paul. No dia do show, o sonho acabou. Pessoa se manteve sóbrio. Eu não.

Branco total radiante… até que…

“O que foi?”, perguntei para Pessoa.

“Não foi! Você ficou tão bêbado que sequer conseguia segurar a guitarra”, ele me disse.

“Não teve show?”, perguntei. 

“Não!” respondeu Pessoa.

A ressaca física virou moral. Arruinei a primeira vez de um sóbrio.

Previsto e posfeito
Problema da folha branca
© 2018 · Marcelo Ferrari