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Nova geração de skatistas de uberlândia

14/08/2019 by na categoria Crônicas, Skatexto tagged as , , with 0 and 0

Carta enviada para diretoria do Praia Clube.

Olá, Diretoria do Praia Clube!

Me apresento em breve. Primeiro preciso contar a última cena que assisti hoje quando estava saindo da pista de skate do clube. Foi uma cena que precisava ser fotografada, mas nem sempre a gente tem uma câmera na mão para registrar momentos históricos, mesmo com a invenção do celular, porque a história passa num click. Então, vou descrever o que vi com o melhor das minhas habilidades. Um garotinho loiro, chamado Arthur, colocou seu skate na beira da maior rampa da pista, o quarter pipe, pisou firme no tail com o pé esquerdo, colocou o pé direito no eixo da frente, se jogou no vazio usando a lei da gravidade e dropou feito um profissional, com convicção e estilo. Segundos antes dele executar essa difícil manobra para um iniciante, pensei em censurá-lo, pois nunca havia visto nenhum dos moleques da pista dropando do quarter pipe antes. Porém, o semblante de Arthur enquanto arrumava o skate na borda do quarter pipe e esperava os outros skatistas saírem da frente, era tão calmo, mas tão calmo, que me convenci de que ele sabia o que estava fazendo. Dito e feito. Aliás, muito bem feito. E por que não dizer, perfeito. Mas não contente de estar com a manobra na base (como dizem os skatistas para expressar competência na execução) voltou para repetir. Deve estar repetindo até agora, obstinado que é. Acenei para Arthur e fiz um sinal de parabéns. Vim para casa pensando em escrever esse email. Estou escrevendo.

Agora sim vou me apresentar. Meu nome é Marcelo Ferrari. Sou conhecido como Ferrari. Moro em Uberlândia fazem sete anos. Vim de São Paulo. Sou sócio do Praia Clube fazem seis anos. Devo ser uma das pessoas que mais frequenta e mais aproveita o clube. Uso as piscinas para fazer natação, uso as pistas para correr, uso a academia e jogo futebol society três vezes por semana. Adoro esporte. Meu trabalho é muito mental e praticar esporte é terapêutico para mim. Me desligo dos pensamentos e relaxo com as práticas esportivas. Sendo assim, qual não foi minha surpresa, durante um dia de corrida pelo clube, descobrir que estavam montando uma pista de skate nas abandonadas quadras de peteca. Parei até de correr. Me deu um trem (como se diz aqui em Minas). Fiquei olhando para as pistas parcialmente montadas e me perguntando: será que volto a andar de skate depois de 30 anos? “Não! Esquece! Você já está muito velho para isso”, minha cabeça me disse. Mas no dia da inauguração, lá estava eu, arrumando meu skate novo na borda da mini ramp para fazer o mesmo que o Arthur estava fazendo no quarter pipe: dropar e andar de skate.

Desde então, tenho andado todos os dias na pista, mais especificamente na mini ramp. Posso até dizer que a história dessa pista passa por mim. Todo mundo lá sabe quem é o Ferrari. E eu conheço quase todos os skatistas usuários da pista. Somos amigos. “Seus amigos tem idade para serem seus netos”, minha esposa brinca comigo. É verdade. Atualmente tenho 49 anos de idade. Não aparento, nem sinto cansaço, mas tenho. Enfim, acompanho e participo da história da pista de skate no Praia desde o primeiro dia e todos os dias pela manhã. Se tornou meu esporte matinal. Então, posso dizer com conhecimento de causa que essa cena que descrevi no começo desse email, do Arthur dropando no quater piper, é histórica sim. Histórica e simbólica.

Agora entro no motivo principal de estar escrevendo esse email. Ao meu ver, com a criação da pista de Skate, e principalmente, com a simples permanência da mesma, o Praia Clube está tendo a oportunidade de criar a nova geração de skatistas de Uberlândia. Comecei esse email falando do Arthur porque ele é um exemplo disso. No prazo de um ano, se o Arthur continuar obstinado em aprender as manobras que ele fica vendo os instrutores executar, ele já terá deixado de ser um iniciante e estará ensinando e servindo de exemplo para os coleguinhas. Creio que isso já está acontecendo embrionariamente, não só com o Arthur, mas com outros mini-skatistas. Vez ou outra, quando um desses mini-skatistas vão andar na mini ramp e ainda não conseguem fazer o jogo de pernas, eu paro de andar e empurro eles para cima e para baixo para aprenderem o jogo de pernas, que é simples, mas fundamental para sairem da fase de iniciantes. Faço isso com alegria, pois é minha forma de contribuir para o florescimento dessa nova geração de um esporte que amo.

Finalizando, parabenizo a diretoria do clube pela decisão de criar e estar mantendo a pista de skate. Faziam 30 anos que não andava de skate e atualmente estou andando muito melhor do que andava a 30 anos atrás. Só que isso é só um detalhe. Me beneficiei de tabela. Quem está se beneficiando mesmo da pista de skate do Praia são os futuros skatistas de Uberlândia, meus amiguinhos de rolê. No futuro, creio que todos eles irão se lembrar e agradecer a diretoria do Praia Clube pela criação da pista em 2019. Atualmente, eles ainda não sabem (ou não gostam) de escrever email com textão, então, estou escrevendo por eles.

Sinceramente, Marcelo Ferrari.

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