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Minha teologia da libertação

12/03/2021 by in category Prosa with 0 and 0

Apertei o play. Apareceu um cara magrelo com um bigodinho pontudo. “Deve ser tipo Borat” pensei. O cara falava igual ao Agostinho da Grande Família. Continuei achando que era tipo Borat. “Vou ver um filme mais bolacha e menos biscoito”, pensei, mas já havia assistido filme suficiente para ficar curioso com aquele olhar profano da Índia sagrada.

Me refiro ao filme O Tigre Branco. Se você ainda não assistiu, irá assistir, com certeza. E não se preocupe, não vou dar spoiler, vou apenas usá-lo para fazer uma reflexão sobre a teologia da libertação.

Você nunca ouviu esse termo antes, né? Teologia da libertação. Google it. E se não quiser googlear agora, continue lendo, vou explicar um pouco a seguir.

A primeira vez que ouvi esse termo, foi numa oficina de literatura, quando o professor levou o Frei Betto para conversar com os alunos. Eu era um dos alunos. Entendi que teologia da libertação era uma leitura marxista da bíblia.

Fiz catecismo meia boca, mas lembrava de Jesus dizendo que o reino dele não era deste mundo. Então, achei que a teologia da libertação era forçação de barra para converter cristianismo em comunismo (e por favor, não leia a palavra comunismo com preconceito, apenas como sistema social).

Até hoje acho o mesmo. Acho que o comunismo tentou derrotar o cristianismo e fracassou. Se não pode vencê-los, junte-se a eles. Eis a estratégia da teologia da libertação.

E o que isso tem a ver com o filme O Tigre Branco?

O filme é foda! Bom pracarai! Não é tipo Borat, é tipo de se borrar. Mas parece que foi escrito pelo Lama Betto. Entende a metáfora?

Parece que os freis da teologia da libertação, não contentes em converter cristianismo em comunismo, decidiram converter budismo em comunismo também. A manobra não é explícita, mas acontece. Tanto que o despertar do tigre é anunciado com um ensinamento de Buda.

Tá! E daí?

E daí que, entre outras coisas, observei isso, pensei nisso e estou compartilhando isso.

Tá! E daí?

E daí que, desde o começo desse texto, estive aliciando você na minha teologia da libertação: pensar.

Tá! E daí?

E daí que, agora que leu, está pensando no que pensei.

Tá! E daí?

Bem vindo a igreja do pensamento.

© 2020 · Marcelo Ferrari