Meu nome é Marcelo Ferrari. Nasci ontem. Quando fiz dez anos, completei dezoito. Tenho um chinelo azul com alça vermelha que não serve para poesia. Escrevo o que a inspiração põe e a expiração tira. Não uso heterônimos, sou usado por eles. Só sei ser sendo, dançar dançando, escrever escrevendo e ferrari ferrariando. Minha literatura não é pá pum e pronto! É pá pum escreve. Pá pum lê. Pá pum edita. Pá pum relê. Pá pum reedita. Pá pum rerelê. Pá pum rereedita. Até que pá puta que pari! Nunca estarei ponto! E pronto! Me imagine tocando violão. Sempre. Ininterruptamente.

   

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Eu manjo!

22/04/2003 by na categoria Crônicas tagged as , , , , with 0 and 0

Com olhos vermelhos e a maior franqueza do universo, o cara me disse: “Você não entende nada do que o Raul está dizendo”. Fiquei indignado. Como não entendo? Entendo sim! Tô ligado! Tô sabendo! Eu manjo! Nem lembro quais eram as gírias da época para expressar sapiência, mas usei todas que vieram a cabeça. O cara nem discutiu comigo. Apenas repetiu o mesmo desacato com outras palavras: “Você ouve, mas não entende”. Como não entendo? Entendo sim! Tô ligado! Tô sabendo! Eu manjo!

Muitos anos depois, lá estava eu, em estado de metamorfose ambulante, entrando de ray-ban pela sala de aula. Da porta até a cadeira fui homenageado com o coro: “Quem não tem colírio usa óculos escuros”. Fiquei careta na hora. Porra, quem não tem colírio usa óculos escuros! É isso! É óbvio! O tal dos óculos escuros não é para proteger os olhos da claridade, é para disfarçar a metamorfose avermelhada!

Eu não tava ligado! Não entendia! Não manjava!

Eu maior
Eu me esqueci
© 2018 · Marcelo Ferrari