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Idioma do paraíso

18/04/2003 by na categoria Crônicas tagged as , , with 0 and 0

A língua era criação fonética deles. Um falava e o outro respondia. Quando estavam vestidos o idioma desaparecia. Quando estavam vestidos a comunicação era com palavras claras e precisas, quase uma conversa de advogados. O estranho idioma só vinha à língua quando estavam nus. Não se prendiam a concordâncias, adjuntos, nem ditongos. Uma palavra se repetia. Quando um deles a pronunciava o outro sentia o impacto imediato. A palavra era catedraticamente nada, mas compreendida e consagrada por seu designificado. Isso bastava. Aliás, transbordava.

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© 2018 · Marcelo Ferrari