Meu nome é Marcelo Ferrari. Nasci ontem. Quando fiz dez anos, completei dezoito. Tenho um chinelo azul com alça vermelha que não serve para poesia. Escrevo o que a inspiração põe e a expiração tira. Não uso heterônimos, sou usado por eles. Só sei ser sendo, dançar dançando, escrever escrevendo e ferrari ferrariando. Minha literatura não é pá pum e pronto! É pá pum escreve. Pá pum lê. Pá pum edita. Pá pum relê. Pá pum reedita. Pá pum rerelê. Pá pum rereedita. Até que pá puta que pari! Nunca estarei ponto! E pronto! Me imagine tocando violão. Sempre. Ininterruptamente.

   

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Idioma do paraíso

18/04/2003 by na categoria Crônicas tagged as , , with 0 and 0

Quando estavam nus conversavam por meio daquele estranho idioma. A língua era criação fonética deles. Um falava e o outro respondia. Quando estavam vestidos o idioma desaparecia. Quando estavam vestidos a comunicação era com palavras claras e precisas, quase uma conversa de advogados. O estranho idioma só vinha à língua quando estavam nus. Não se prendiam a concordâncias, adjuntos, nem ditongos. Uma palavra se repetia. Quando um deles a pronunciava o outro sentia o impacto imediato. A palavra era catedraticamente nada. Mas compreendida e consagrada por seu designificado. E isso bastava. Aliás, transbordava.

Humanidade é um lixo
Iluminação da toalha molhada
© 2018 · Marcelo Ferrari