Quem empurra o ser humano para superação é o desejo, nunca o medo. O medo é bunda mole, faz de tudo para não perder, mesmo que isso implique em jamais ganhar. O desejo é ousado, vai pra cima, quer ganhar, mesmo correndo o risco de perder. Se Santos Dumont tivesse dado ouvidos ao medo, ainda estaríamos viajando em carroças. Se Bill Gates e Steve Jobs tivessem dado ouvidos ao medo, ainda estaríamos lambendo selos e enviando cartas.
Há quem diga que a Croácia ganhou do Brasil na copa. Não é verdade. Para ganhar é preciso querer ganhar. A Croácia não jogou para ganhar, jogou para não perder. A Croácia foi prudente. Gastou os 90 minutos de jogo evitando o real propósito do futebol: produzir um gol. O jogo terminou em zero a zero. Placar triunfal para um time medroso. Depois a Croácia gastou o tempo da prorrogação fazendo mais do mesmo e consumou a bundisse nos pênaltis.
O gol de bunda se repetiu em muitas seleções durante a copa. Vários jogos foram ataque contra defesa. Um time tentando fazer alguma coisa acontecer e outro, cagando de medo, impedido que qualquer coisa acontecesse. Não por acaso, o mesmo acontece na história humana desde sempre. Tem até um cara, bastante famoso, que foi crucificado por abusar da iniciativa.
Será que apenas os hermetismos pascoais, os tons, os mil tons, os Vinis, os Messis, os Neymars, os Mbappés, seus sons e seus dons geniais, nos salvam, nos salvarão dessas trevas e nada mais. O último a sair do breu acende a luz.