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Fora da curva

10/11/2019 by na categoria Crônicas, Skatexto tagged as , , , with 0 and 0

Andar de skate vertical (half pipe e miniramp) é muito parecido com andar de balanço. O skatista sobe e desce circularmente pelo espaço como se estivesse balançando. A diferença é que uma cadeira de balanço sobe e desce circularmente porque está amarrada a uma trave e o skatista não está amarrado a nada. O que mantém o skatista subindo e descendo circularmente pelo espaço é o contato das rodinhas do skate com as paredes circulares da rampa.

Eis o ponto onde começa a magia do skate vertical. Um half pipe é meia circunferência, não é uma circunferência inteira, então, tem um ponto que a parede da rampa acaba. É nesse ponto que o skate termina e o skatista começa. Para subir e descer pelas paredes da rampa, o skate não precisa do skatista, as próprias leis da física se encarregam de executar essa manobra, para subir e descer além das paredes, só com um skatista manobrando o skate.

O skatista de miniramp é um mágico que executa a magia vertical com moderação. Ele vai até a limite da circunferência, até o último ponto de tangência, e retorna executando uma conversão de 180 graus que pode ser uma batida, um gride, um rock and roll, um stall, um olie, um disaster, entre dezenas de outras manobras. O skatista de half pipe é sem moderação. Muitas vezes, até sem noção. Ele vai muitos metros além do último ponto de tangência para executar a conversão de 180 graus.

Tem uma gíria que diz que pessoas que vão além da normalidade são pessoas “fora da curva”. Essa gíria expressa bem o comportamento dos skatistas de half pipe. E, infelizmente, expressa o contrário do comportamento da maioria das pessoas. (Emoji de infelizmente).

Fodeu
Frontside Stall Diminuta
© 2018 · Marcelo Ferrari