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Bolacha não é biscoito

19/12/2020 by in category Prosa tagged as , , , with 0 and 0

Primeiro assisti o documentário “É tudo pra ontem”, do rapper Emicida, mostrando seu show preto intitulado Amarelo. Depois assisti o documentário da Anitta, intitulado “Made in Honório”. O documentário do Emicida é uma ópera pop, inclusive filmado em um cenário de ópera, o Teatro Municipal de São Paulo. O documentário da Anita é um baile funk. Meu resumo da ópera, após assistir ambos, é que, definitivamente, bolacha não é biscoito.

O que quero dizer com isso? Quero dizer que paulista não é carioca. Etátudobem! A prateleira do supermercado Brasil é plural. Tem bolacha para quem gosta de bolacha. Tem biscoito para quem gosta de biscoito. E tem Mário de Andrade decretando a suruba antropofágica para quem, como eu, gosta de x-salada.

Sou paulista e prefiro bolacha. Admito! Emicida é cerebral como eu, vai direto ao ponto, papo reto, ao invés de fazer curvas como Niemeyer e a bunda da Anitta. Mas o jeito bundalelê de ser também conta a história do Brasil que Emicida adora resgatar nos livros e nos sebos.

Não dá para pensar com a bunda, nem dançar com a cabeça. Mas bunda e cabeça podem habitar o mesmo corpo. E talvez não haja outro país no mundo que demonstre melhor essa possibilidade do que o Brasil.

Não existe pecado do lado de baixo do equador. A bunda não precisa ganhar da cabeça e vice versa. Afinal, nessa briga, citando uma famosa filósofa brasileira: “Não acho que quem ganhar ou quem perder, nem quem ganhar nem perder, vai ganhar ou perder. Vai todo mundo perder”.

© 2020 · Marcelo Ferrari