Vida de saleiro

05/04/2003 by na categoria Diálogos, Vida das Coisas tagged as , , , with 0 and 0

Conversando com um saleiro.

— Sai caralho!
— Não sou uma cueca, sou um saleiro.
— Sai buceta!
— Também não sou calcinha.
— Sai merda!
— Também não sou um cu.
— Sai porra!
— Também não sou um pinto.
— Então, deixa o sal sair! Só um pouco.
— Que tal pedir com gentileza. Gentileza gera gentileza.
— Ok, por favor, faz sair sal.

O sal não sai.

— Tá vendo! Pedi com gentiliza. E agora?
— Tô me sentindo pressionado. Vamos conversar um pouco.
— Eu quero sal, não quero conversar.
— Como foi seu dia? Me conta!
— Foi bom. Quer dizer, estava sendo bom até chegar aqui e encontrar um saleiro discípulo de Freud. 
— Hehehe… Essa foi boa. Tá vendo!
— Tá vendo o que?
— Você falou de outra coisa além do sal.
— Sim, falei, agora faz o sal sair.
— E como é que foi sua infância?
— Fala sério! Minha infância foi igual todo mundo.
— Algum trauma?
— Teve uma vez, na escola, eu devia ter uns seis anos, que… Perai Sigmund! Eu quero colocar sal na batata frita, não quero fazer terapia!
— Tudo bem… prossiga… você tinhas uns 6 anos, e….
— De repente… era 2017
— O que tem em 2017?
— Inventaram o sal de saquinho. Tchau!
— Péra! Isso é recalque!

 

© 2018 · Marcelo Ferrari