Vida de porta guardanapo

05/04/2003 by in category Diálogos, Vida das Coisas tagged as , , with 0 and 0

Conversando com um porta guardanapos.

— Só de boa, einh mano?
— O que foi? Tá falando comigo?
— Vai fumar um, né? 
— Fumar um?
— Isso! Vai dar um tapa na pantera? Fumar um beque?
— Como é que você sabe?
— Como é que eu sei!??? Olha o que vc acabou de pegar em mim.
— Só peguei um guardanapo, ué?
— Só pegou um guardanapo!! Sei! E pra que? Você está gripado? Deve estar, né? Com um olho vermelho assim?
— É um cisco. Entrou um cisco no meu olho!
— Nos dois de uma vez?!!!
— Pois é! Puta azar.
— E o guardanapo, pra que é?
— Pra que? Pra que? Pra tirar o cisco!
— Usa papel higiênico para tirar o cisco, é bem melhor, mais suave, vai agredir menos seus olhos.
— Não! Papel higiênico não vai funcionar.
— Por que não?
— Ora, porque… porque… porque… meu olho é muito oleoso.
— Seu olho é muito oleoso!!!!
— É muito, muito, oleoso!
— E dai!??
— E dai que preciso usar um papel tipo esse ai, que embrulha salgadinho, coisa oleosa, entendeu?
— Kkkkk… Em toda minha vida de boteco, essa foi a melhor desculpa que já ouvi. 
— Você pergunta isso pra todo mundo?
— Claro! É a parte mais engraçada do meu dia, ouvir as mentiras que vocês me contam quando vem pegar guardanapo.
— Quer dizer que você sabe para que é?
— Todos aqui no boteco sabem, acho até que meu fabricante sabe.
— Vixi! Que vergonha.
— Relaxa! Eles também pegam cisco no olho.
— Hehehe… Pode crê!
— Vai lá! A gente volta a conversar na hora da larica.

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Espalhe a palavra!

Marcelo Ferrari


Nasci ontem. Quando fiz dez anos, completei dezoito. Tenho um chinelo azul com alça vermelha que não serve para poesia. Escrevo o que a inspiração põe e a expiração tira. Não uso heterônimos, sou usado por eles. Só sei ser sendo, dançar dançando, escrever escrevendo e ferrari ferrariando. Minha literatura não é pá pum e pronto! É pá pum escreve. Pá pum lê. Pá pum edita. Pá pum relê. Pá pum reedita. Pá pum rerelê. Pá pum rereedita. Até que pá puta que pari! Nunca estarei ponto! E pronto! Me imagine tocando violão. Sempre. Ininterruptamente.

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