Usain Bolt na esteira

06/04/2003 by in category Crônicas tagged as , , , with 0 and 0

Ligo a televisão as 22:20. O mundo parou para ver o mundo correr. Nenhuma novidade. Correr atrás do ouro não é privilégio de atleta olímpico. É rotina social. Corremos atrás do ouro desde que o mundo é mundo. Mas dessa vez a rotina está pintada de ouro. Final olímpica dos 100 metros. Usain Bolt na pista. O homem mais rápido do mundo. Expoente maior da produtividade. Capaz de produzir 500 gramas de ouro em menos de 10 segundos. Antítese absoluta do ócio.

22:25. Festa brasileira acontecendo com pontualidade britânica. Todos os convidados já chegaram. Olimpíadas para Inglês ver. Enquanto os convidados se preparam para van goghar o relógio, me lembro de recente exame cardíaco que fiz. Primeira vez. Exame de esteira. Daqueles que a gente corre com eletrodos grudados no peito. No começo a velocidade da esteira é tranquila e favorável. Aos poucos, o médico que está monitorando o exame, vai aumentando a velocidade.

“Esse é o máximo?”, eu pergunto ao médico, depois de 20 minutos correndo, esbaforido e já quase trançando as pernas. “Você aguenta mais?”, ele pergunta. “Vou tentar!”, eu respondo. Ele aumenta a velocidade. Fica insuportável. Além da alta velocidade a esteira está inclinada. “Esse é o máximo?”, pergunto novamente, com esperanças de chegar ao fim. Vendo meu cansaço e minha inexperiência naquele tipo de exame, o medico me aconselha: “Não tente ganhar da esteira, a esteira sempre vence”.

22:30. O revólver do Olimpo dispara contra Cronos.

E os homens saem correndo atrás do pote de ouro no fim da esteira.

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