Testosterona appeal

07/04/2003 by in category Crônicas tagged as , , , , with 0 and 0

Vou te contar como você veio parar nesse hospital.

Você era jovem, cheio de testosterona e nobres motivações: liberdade, justiça, paz e amor. Mas para rolar seu nobre amor, você precisava de um nobre carro. Só que carros não crescem em árvores. Então, você descobriu que precisava de nobre grana. E como grana não é grama, descobriu que precisava de um nobre emprego. De repente, você deixou de ler os quadrinhos para ler os editoriais. Trocou a disputa de quem tem o cabelo mais comprido por quem tem o cargo mais alto. Fez pano de prato com a camiseta do Led Zeppelin e começou a dormir de pijama. Passou a repetir para seus filhos as mesmas frases feitas que odiava ouvir dos seus pais. Parou de crer em saci-pererê e passou a crer na previsão do tempo. Deixou de confiar no improviso e passou a investir nos fundos de renda fixa. Pregou Cristo na cruz. Trocou os óculos escuros pelo colírio. Trocou as gírias pelos jargões de direito penal. Trocou os manos pelo money. Trocou a sinceridade pelo uísque. Passou a cultuar a estrutura do átomo, os livros de capa dura e as revistas de mulheres peladas.

Acertei? Se não foi assim, me conta como foi depois da operação cardíaca.

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Espalhe a palavra!

Marcelo Ferrari


Nasci ontem. Quando fiz dez anos, completei dezoito. Tenho um chinelo azul com alça vermelha que não serve para poesia. Escrevo o que a inspiração põe e a expiração tira. Não uso heterônimos, sou usado por eles. Só sei ser sendo, dançar dançando, escrever escrevendo e ferrari ferrariando. Minha literatura não é pá pum e pronto! É pá pum escreve. Pá pum lê. Pá pum edita. Pá pum relê. Pá pum reedita. Pá pum rerelê. Pá pum rereedita. Até que pá puta que pari! Nunca estarei ponto! E pronto! Me imagine tocando violão. Sempre. Ininterruptamente.

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