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Taxista roxo

07/04/2003 by in category Crônicas tagged as , , with 0 and 0

Fiz um comentário sobre a fama do jogador e o taxista não respondeu. Fiquei aflito. Pelo silêncio, desconfiei que o jogador fosse da família do taxista. Depois percebi que ele estava apenas distraído, ouvindo o jogo. Um taxista que concordasse com o cliente era o mínimo que esperava, mas, para evitar uma bola na trave, remediei:

— O senhor é corintiano?
— Já fui.

Vixi! Um vira-casaca! Aquele era o segundo caso que conhecia. O primeiro era um amigo de infância, que passou dez anos negando a mutação.

— Por que mudou de time? — perguntei.
— Culpa do meu pai.
— É sempre culpa do outro! — pensei.
— Antes de ser taxista, trabalhava de metalúrgico, então, inventaram um tal teste de aptidão. Quem não passasse, era demitido.
— E o senhor passou?
— Nem por perto.
— Foi demitido?
— Fui sim, mas quem se chateou mesmo, foi meu pai.
— Ele brigou com você!
— Muito pior!
— O que ele fez?
— Como eu era de menor, não podia assinar documento, então, meu pai foi receber o dinheiro da rescisão no meu lugar. Maldito dia!
— Maldito, por quê?
— Para me sacanear, meu pai bebeu todos meus direitos em cachaça. Ficou uma semana sem trabalhar, caído de bêbado no boteco.
— E o que você fez?
— Fiquei daltônico!
— Daltônico?!
— Meu pai era corintiano roxo.
— E dai?
— Virei palmeirense!

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