Tag: Família

Casal maior da constelação

24/04/2003 by in category Crônicas tagged as , , ,

Tenho uma amiga, terapeuta de constelação familiar, que parece um disco riscado de tanto que repete a mesma frase: “Sejam gratos a suas mães, pois foram elas que lhes deram a vida”. Desconsiderando a parte sobre o que é vida, e também a suposta doação, o problema não é que as mães nos deram a […]

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Dia das donas

23/04/2003 by in category Crônicas tagged as , , ,

Dona Florinha, Dona Zefa, Dona Neusa, Dona Regina, Dona Fátima, donas do mundo, donas da razão. Se o filho é pródigo, o apocalipse vem de chinelo. Pobres bundas carnais. Deus permite. Abençoa. Afinal, deus não tem mãe. Não moro mais com minha dona, mas durante a semana vou almoçar no útero. Comida sem sal, água […]

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Notícias de lá

13/04/2003 by in category Poemas, Vídeos tagged as , , , ,

Trago notícias de lá. Lembra de lá? Lá onde lá não existe? Lá onde lá não importa? Lá de onde nunca saímos? Lá pra onde estamos voltando? Lembra de lá? Trago notícias de lá. Lá está se preparando para festa. Fogos sem artifício doce de batata doce. musica das esferas. Pode ouvi-la? Trago notícias de […]

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Pai ausente

11/04/2003 by in category Crônicas tagged as , , ,

Quando meu pai morreu, fiz questão de ver o corpo no local do óbito. Queria ver minha reação ao encarar a morte de alguém tão querido. Cheguei no local com bastante apreensão. O pessoal me conduziu até a sala onde ele estava, mas ele não estava. Seu peito vestia a mesma camisa, mas o sentimento […]

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Pedro pedreiro

11/04/2003 by in category Contos, Vídeos tagged as , , , ,

Pedi para tirar as botas ortopédicas. Queria brincar na terra. Foi nesse momento que minha mãe resolveu me dar um presente que mudaria minha vida. Um tijolo. Tinha mais ou menos uns vinte centímetros de comprimento, dez de largura, pesava em torno de oitocentos gramas e no meio estava escrito em alto-relevo: “Bom menino não se […]

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Pitoco

11/04/2003 by in category Crônicas tagged as , ,

Pitoco era um cachorro salsicha. Cachorros salsichas são fáceis de tratar e excelentes sirenes de polícia. Minha avó tinha um bando deles. Morriam uns, nasciam outros. Ela sempre tinha uns quatro deles pela casa. O método de preservação da raça era a pouca-vergonha. O filho transava com a própria mãe, quer dizer, fertilizava a própria […]

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Poema Banguela

11/04/2003 by in category Poemas tagged as , , , ,

Você não fala mais perdeu os dentes não importa o quanto tente você que tanto fez agora tanto faz. Você é um rádio quebrado e encardido que só sabe tossir  e chiar o vivido. Você que foi “uma brasa, mora?”  agora é mala sem alça que peida fora de hora. Ironia filha da puta! vida é maça viver é fome quanto mais você morde mais a fruta te come.

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Quero beijar um homem

10/04/2003 by in category Crônicas tagged as , , ,

Acordei com vontade de beijar um homem. Não saí do armário. É saudades do meu pai. Saudades de brincar de plástico bolha com o lóbulo da sua orelha. Quantas histórias! Vou contar uma que marcou minha alma e seu corpo. Uma que começou com uma carreata de sorveteiros. Estava sendo inaugurada uma nova loja perto de casa. Saí correndo para participar […]

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Reflexões de um bosta

09/04/2003 by in category Crônicas, Vídeos tagged as , , , ,

Seu pai não fez por mal, fez por ignorância. Seu avô fez com seu pai, então, ele repetiu com você. Seu avô também não fez por mal, também fez por ignorância. Seu bisavô fez com seu avô, então, ele repetiu com seu pai, que repetiu com você. Seu bisavô também não fez por mal, também […]

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Xixi com tinta

04/04/2003 by in category Crônicas tagged as , , , ,

— É hoje? — eu perguntava todos os dias ao acordar. Uma vez a cada sete dias a cabeça balançava para cima e para baixo. Para mim, além de resposta afirmativa, era dia do suquinho. Só de pensar, meu estômago lambia os beiços. Logo me voluntariava a carregar as sacolas para minha mãe. Uma vez […]

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Marcelo Ferrari


Nasci ontem. Quando fiz dez anos, completei dezoito. Tenho um chinelo azul com alça vermelha que não serve para poesia. Escrevo o que a inspiração põe e a expiração tira. Não uso heterônimos, sou usado por eles. Só sei ser sendo, dançar dançando, escrever escrevendo e ferrari ferrariando. Minha literatura não é pá pum e pronto! É pá pum escreve. Pá pum lê. Pá pum edita. Pá pum relê. Pá pum reedita. Pá pum rerelê. Pá pum rereedita. Até que pá puta que pari! Nunca estarei ponto! E pronto! Me imagine tocando violão. Sempre. Ininterruptamente.

emailferrari@yahoo.com.br
 

    


© 2017 · FERRARIANDO · Marcelo Ferrari
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