Tag: Consciência

Adão no catecismo

26/04/2003 by in category Crônicas, Vídeos tagged as , ,

Não lembro perfeitamente como a professora do catecismo explicou, mas era algo como visão de raio-x, onde deus via até através das paredes. “Nossa! Mas ele vê tudo, professora?” A gente perguntava. “Sim, ele vê tudo”, ela respondia. “Mas ele vê tudo, tudo, tudo, tudo mesmo?” Insistíamos. “Tudo, tudo, tudo”, ela afirmava catecismicamente. Era duro aceitar […]

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Admita

26/04/2003 by in category Imperativos, Poemas, Vídeos tagged as , , , ,

Primeiramente admita seu medo de admitir coleira que controla o limite da sua sinceridade. Segundamente admita que mente que mentiu ontem quando disse à João que Pedro mora no seu coração de pedra. Admita seu espírito de porco anti-olímpico que não sabe perder mas finge que sabe. Admita que várias vezes várias vezes várias vezes inclusive agora tem […]

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Altura, largura e absurdidade

26/04/2003 by in category Crônicas tagged as , , ,

Cidade não tem noite, sois eletrônicos acendem com o timer e o espetáculo da escuridão, mesmo presente, fica invisível. Sempre morei na cidade. Aliás, quase sempre. Mas quase suficiente para que minhas retinas se esquecessem que são duas luas. Certa vez, arranquei a avenida paulista de dentro de mim e fui morar em um sítio. Lá, quando ficava noite, […]

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Anel de Clarice

26/04/2003 by in category Contos tagged as , , , ,

Clarice está procurando um anel. Na verdade, não é Clarice que está procurando, é sua personagem. Ela procura nas gavetas, nos armários, em todo lugar, até desistir. Assim que desiste, vai até a cozinha tomar chá e encontra o anel dentro de uma xícara. Não é exatamente assim, mas imagine assim mesmo, é suficiente. Depois […]

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Apocalipse na aula

26/04/2003 by in category Crônicas tagged as , , ,

Eu tinha 21 anos e era fascinado por ciência, como sou até hoje. Estava de chinelos, cabelo sujo, sentado no fundão, prestes a ter minha primeira aula de filosofia. Como um fã do professor pardal foi parar num curso de comunicação, não vem ao caso, o que importa aqui é narrar o caso. A professora […]

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Boacumba para curar reclamação

25/04/2003 by in category Boacumba, Crônicas tagged as , , ,

Ingredientes: Sal grosso, um saco plástico (dos grandes), 1 caderno, 1 lápis, 1 cadeira, 1 régua de 30 cm, 1 giz branco, 1 caneca, 1 mala sem alça. Preparo: Durante um mês, toda vez que sentir vontade de reclamar de algo, pegue o lápis e escreva no caderno qual é o certo. Por exemplo: “O certo é […]

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Cara que risca os fósforos

24/04/2003 by in category Poemas, Vídeos tagged as , , , ,

Desde que me entendo por vela estou procurando o cara que risca os fósforos. Eis o fogo de minha angustia fogo que me consome, dia após dia. Dizem que minha busca é benéfica aos que me rodeiam que rega luz e calor no ambiente que me queimo por isto.  Foda-se a luz! Foda-se o ambiente! […]

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Criatura e Criador

24/04/2003 by in category Músicas tagged as , , ,

Até o fim Passo a passo sobre mim Na trilha do meu coração Meu destino singular Singular Até o fim Seja bom, seja ruim Não vou me economizar Ser o que sou Seja o que for Me experimentar Me experimentar Ser o que sou Seja o que for Me experimentar Criatura e criador    

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Colírio colorido

24/04/2003 by in category Contos tagged as , , , ,

Luzes da china piscando na árvore de natal.  Abre câmera, plano geral.  Duas aeromoças dividem os passageiros da clínica em alas. A aeromoça loira queria ser aeromoça. Sonhava casar com o piloto da rota São Paulo-Paris. Subir com ele na Torre Eiffel. Estudou. Passou no concurso. Mas foi barrada no exame médico por astigmatismo. Depois de […]

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Confessionário de Dorian Gray

24/04/2003 by in category Crônicas tagged as , , , ,

Ana havia se tornado uma devedora compulsiva e resolveu buscar ajuda num grupo de anônimos. Insegura, pediu que eu fosse com ela na primeira reunião. O encontro seria no sábado, numa igreja no centro de São Paulo. Aceitei, pensando em ajudá-la. Ledo engano! Para ela foi apenas um banho de sal grosso, para mim foi tratamento de […]

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AUTOR


Meu nome é Marcelo Ferrari. Nasci ontem. Quando fiz dez anos, completei dezoito. Tenho um chinelo azul com alça vermelha que não serve para poesia. Escrevo o que a inspiração põe e a expiração tira. Não uso heterônimos, sou usado por eles. Só sei ser sendo, dançar dançando, escrever escrevendo e ferrari ferrariando. Minha literatura não é pá pum e pronto! É pá pum escreve. Pá pum lê. Pá pum edita. Pá pum relê. Pá pum reedita. Pá pum rerelê. Pá pum rereedita. Até que pá puta que pari! Nunca estarei ponto! E pronto! Me imagine tocando violão. Sempre. Ininterruptamente.

        

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