Tag: Cidade

Afasta de mim esse táxi

26/04/2003 by in category Crônicas tagged as , , , ,

Ligo o MP3 e viajo na ideia de que a vida é ônibus. Uns sobem, outros descem. Fica cheio, vazio, meio-vazio, meio-cheio. Tem japonês, loiro, negro. Cada ponto é final e partida. Tem uma dona gorda na minha frente. Atrás dela, uma criança de colo. Um rapaz sujo de graxa está de pé, ao lado de um […]

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Big Belém

25/04/2003 by in category Contos tagged as , , , , ,

O sino da catedral toca como em ringue de boxe. Azul contra vermelho. Direita contra esquerda. Certo contra errado. O bem contra o mal. Multidão fazendo aposta. Urrando. Mas os lutadores não escutam nada. Estão usando tampões nos ouvidos. Lutadores lutam. Socos, socos, loucos… De repente, o lutador vermelho é golpeado na cabeça e perde os tampões. Ele começa […]

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Casa onde morava

24/04/2003 by in category Poemas tagged as , , , ,

Não moro mais  na casa onde morava mas a casa onde morava  ainda mora em mim. Não choro mais  na casa onde chorava mas a casa onde chorava  ainda chora em mim. Não demoro mais  na casa onde demorava mas a casa onde demorava  ainda demora em mim. Não oro mais da casa onde orava mas a casa […]

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Homem avestruz

19/04/2003 by in category Crônicas tagged as , , , ,

Adoro artistas de rua. Me lembro de um chamado Homem Avestruz, que vendia uma pomada de peixe-elétrico que servia para passar em tudo, até no vestibular! Avestruz engolia relógios, garfos, cacos de vidro, tesouras, e, no ponto alto do show, engolia um cadeado fechado e depois o retirava aberto do estômago. Certa vez, passei pela […]

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Humanidade é lixo

19/04/2003 by in category Crônicas tagged as , , , ,

— A humanidade é um lixo! — diz a voz agressiva e convicta. Olho para trás a fim de reconhecer o autor e tentar entender o motivo. — A humanidade é um lixo! — ele repete. Investigo o dono da frase de cima a baixo. Sua pele é encardida. Usa um bigode de bangue-bangue totalmente […]

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Pá pum próximo!

11/04/2003 by in category Crônicas tagged as , , ,

Usávamos capacetes e roupas de chuva. Parecíamos astronautas. Ninguém reparava. Éramos motoboys, éramos a rotina do cartório, éramos o lado de fora do balcão. O lado de dentro eram os robôs pá-pum-próximo. Documento. Pá-pum-próximo. Documento. Pá-pum-próximo. Documento. Pá-pum-próximo. Documento. Pá-pum-próximo. Documento. Pá-pum-próximo…. Haviam exceções, pessoas que pareciam enxergar na repetição de mesas, papéis, carimbos e capacetes, algum tipo de novidade invisível. Chegavam sorridentes, perfumadas […]

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Sanfoneiro

08/04/2003 by in category Crônicas tagged as , ,

Um rebanho se afunila no único caixa do banco. Calejado pela rotina, sento no chão. O guarda não diz nada, se pudesse faria o mesmo. Passados alguns minutos alguém resmunga. Como numa cascata de dominós vai contagiando todos os demais. No chão, olhando o mundo de baixo pra cima, acompanho o balé dos pés, uns […]

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Solidão e Muvuca

08/04/2003 by in category Crônicas tagged as , , , ,

Reclamamos da poluição, da enchente, do trânsito, da violência, mas não saímos da muvuca. Gostamos mesmo é de bafafá. A gente empurra, dá cotovelada, manda o irmão tomar no cu, mas nem sonha em sair dos bares, filas e favelas da vida compartilhada. Estar no meio da confusão dá uma sensação de que ela depende […]

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Sovaco do Cristo

08/04/2003 by in category Crônicas tagged as , , , ,

Fui no Cristo Redentor. Segunda vez. Não me lembrava mais do tanto que precisava subir para voltar para o céu. Um inferno! Sobe de van. Desembarca. Pega outra van. Desembarca. Sobe de escada. O sol tava foda. Ia escrever escaldante, mas tava foda mesmo. Rio 40 graus. Era 12 de outubro, dia de Nossa Senhora Aparecida. […]

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AUTOR


Meu nome é Marcelo Ferrari. Nasci ontem. Quando fiz dez anos, completei dezoito. Tenho um chinelo azul com alça vermelha que não serve para poesia. Escrevo o que a inspiração põe e a expiração tira. Não uso heterônimos, sou usado por eles. Só sei ser sendo, dançar dançando, escrever escrevendo e ferrari ferrariando. Minha literatura não é pá pum e pronto! É pá pum escreve. Pá pum lê. Pá pum edita. Pá pum relê. Pá pum reedita. Pá pum rerelê. Pá pum rereedita. Até que pá puta que pari! Nunca estarei ponto! E pronto! Me imagine tocando violão. Sempre. Ininterruptamente.

        

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