Soldadinho de chumbo

08/04/2003 by in category Crônicas tagged as , , with 0 and 0

Muito pior do que gripe suína são os casos de alquimia às avessas. Pessoas ensolaradas, com talento de ouro, mas que, dia a dia, vão sendo transformadas em soldadinhos de chumbo. Tenho um amigo que é ouro puro no violão, daí, várias vezes me diz: “Não sei se faço faculdade de marketing ou engenharia”.

Enquanto ele fala – com uma boca que não é dele – vejo estarrecido sua alma escurecendo. Tento reverter o processo, mas a luz filosofal só obedece o interruptor do dono. Saio correndo de costas. Viro a esquina errada. Entro no ônibus pela porta de trás. Desço num ponto desconhecido. De nada adianta.

Os soldadinhos de chumbo só querem trilhar o caminho das pedras marcadas. O caminho que leva, sem erro, a mediocridade garantida. O profeta da capadócia mandou avisar que os alquimistas estão voltando.

Alguém saberia me dizer quanto?

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Espalhe a palavra!

Marcelo Ferrari


Nasci ontem. Quando fiz dez anos, completei dezoito. Tenho um chinelo azul com alça vermelha que não serve para poesia. Escrevo o que a inspiração põe e a expiração tira. Não uso heterônimos, sou usado por eles. Só sei ser sendo, dançar dançando, escrever escrevendo e ferrari ferrariando. Minha literatura não é pá pum e pronto! É pá pum escreve. Pá pum lê. Pá pum edita. Pá pum relê. Pá pum reedita. Pá pum rerelê. Pá pum rereedita. Até que pá puta que pari! Nunca estarei ponto! E pronto! Me imagine tocando violão. Sempre. Ininterruptamente.

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