Sim Sim

08/04/2003 by in category Crônicas tagged as , , with 0 and 0

Quando estavam enfim sós, e nus, conversavam por meio daquele estranho idioma. A língua era criação fonética deles e surgiu sabe-se lá quando.

De repente, um pronunciava: “Ismirifin difi rtifim di esquiri ticim xubicabagi guibi.” E o outro, compreendendo o significado profundo de cada palavra, respondia: “Simimhi himilidogji dojiduim dolim femelacidi.”

Quando estavam vestidos o idioma desaparecia. Quando estavam vestidos a comunicação se dava através do português de telejornal, com palavras claras e precisas, quase uma conversa de advogados. O estranho idioma só vinha à língua quando faltavam nus.

Não se prendiam em concordâncias verbais, adjuntos, nem ditongos.

E uma frase se repetia: “sim-sim”.

Quando um deles pronunciava “sim-sim”, o outro sentia o impacto imediato.

A frase era catedraticamente nada. “Sim-Sim” era “assim: palavra compreendida e consagrada por seu designificado.

E isso bastava. Aliás, transbordava.

Leia mais:
Facinho Se você quer arranjar confusão Se você quer arranjar confusão Me erra ...
Sofrimento monossilá... Sei que você mente quando diz "okei" Sei que você sabe que eu sei  e...
Joia de família — Toma pra você. — O que é isto, pai? — É um problema. — O que faço co...
Espalhe a palavra!

Marcelo Ferrari


Nasci ontem. Quando fiz dez anos, completei dezoito. Tenho um chinelo azul com alça vermelha que não serve para poesia. Escrevo o que a inspiração põe e a expiração tira. Não uso heterônimos, sou usado por eles. Só sei ser sendo, dançar dançando, escrever escrevendo e ferrari ferrariando. Minha literatura não é pá pum e pronto! É pá pum escreve. Pá pum lê. Pá pum edita. Pá pum relê. Pá pum reedita. Pá pum rerelê. Pá pum rereedita. Até que pá puta que pari! Nunca estarei ponto! E pronto! Me imagine tocando violão. Sempre. Ininterruptamente.

emailferrari@yahoo.com.br
 

    


© 2017 · FERRARIANDO · Marcelo Ferrari
Scroll Up