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Sim Sim

08/04/2003 by in category Crônicas tagged as , with 0 and 0

Quando estavam enfim sós, e nus, conversavam por meio daquele estranho idioma. A língua era criação fonética deles e surgiu sabe-se lá quando.

De repente, um pronunciava: “Ismirifin difi rtifim di esquiri ticim xubicabagi guibi.” E o outro, compreendendo o significado profundo de cada palavra, respondia: “Simimhi himilidogji dojiduim dolim femelacidi.”

Quando estavam vestidos o idioma desaparecia. Quando estavam vestidos a comunicação se dava através do português de telejornal, com palavras claras e precisas, quase uma conversa de advogados. O estranho idioma só vinha à língua quando faltavam nus.

Não se prendiam em concordâncias verbais, adjuntos, nem ditongos.

E uma frase se repetia: “sim-sim”.

Quando um deles pronunciava “sim-sim”, o outro sentia o impacto imediato.

A frase era catedraticamente nada. “Sim-Sim” era “assim: palavra compreendida e consagrada por seu designificado.

E isso bastava. Aliás, transbordava.

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