Ser Humano Futebol Luxuria

08/04/2003 by in category Crônicas, SHFC tagged as , , , with 0 and 0

É preciso dois para dançar um tango e vinte dois para jogar uma partida de futebol.

Quem chega primeiro fica esperando os outros vinte-um e contando os vultos que surgem no horizonte, sempre na expectativa de não ter perdido a viagem. Raramente a viagem é perdida. No futebol amador, o que não falta é amador do futebol. Ninguém tem obrigação de comparecer em campo, mas a maioria comparece. Muitas vezes, até debaixo de chuva.

A quase dois anos sou um entre vinte-um. Quando o horário vai chegando, visto calção, meião, chuteira e sigo para o campo.

Certa vez, durante o percurso, me indaguei sobre o motivo dos nossos encontros semanais. Me dei conta que era o mesmo do tango, do sexo, da conversa, do trabalho, da família, da amizade, da literatura, da culinária, da missa de domingo, e todo relacionamento: luxuria.

Luxuria vem de luxo. Luxo é aquilo que vai além da necessidade.

O necessário para que haja um relacionamento humano é dois seres humanos, só isto, o que vem depois disto é luxo, ou seja, luxuria.

Eis porque digo que o motivo de todos os relacionamentos humanos é a pratica da luxuria. O mínimo necessário para um relacionamento é a quantidade: dois. A qualidade do relacionamento é o luxo do relacionamento.

Humanidade não é quantidade, não é a somatória dos indivíduos humanos. Humanidade é qualidade.

Seres humanos são humanos porque se relacionam de forma humana. Entre as múltiplas formas humanas de relacionamento estão o tango, o sexo, a conversa, o trabalho, a família, a amizade, a literatura, a culinária, a missa de domingo e o futebol.

Ou seja, a quase dois anos, estou tendo um relacionamento humano.

O relacionamento persiste porque é um tesão.

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Espalhe a palavra!

Marcelo Ferrari


Nasci ontem. Quando fiz dez anos, completei dezoito. Tenho um chinelo azul com alça vermelha que não serve para poesia. Escrevo o que a inspiração põe e a expiração tira. Não uso heterônimos, sou usado por eles. Só sei ser sendo, dançar dançando, escrever escrevendo e ferrari ferrariando. Minha literatura não é pá pum e pronto! É pá pum escreve. Pá pum lê. Pá pum edita. Pá pum relê. Pá pum reedita. Pá pum rerelê. Pá pum rereedita. Até que pá puta que pari! Nunca estarei ponto! E pronto! Me imagine tocando violão. Sempre. Ininterruptamente.

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