Ser Humano Futebol Darwin

24/06/2018 by na categoria Crônicas, SHFC tagged as , , , with 0 and 0

O esporte é o inimigo número um da corrupção. Se a sociedade levasse tudo na esportiva, não precisaria nem de polícia. O esporte é incorruptível. Ninguém jamais ganhou uma medalha olímpica de salto a distância chantageando a lei da gravidade ou quebrou um record de natação subornando o cronômetro.

A corrupção é atividade psicológica, o esporte é atividade darwinista. O esporte é a evolução da espécie televisionada e com patrocínio da Johnson & Johnson. Uma dessas subdivisões chama-se futebol. É a subdivisão que nós, brasileiros, mais apreciamos. Por isso, duas vezes por semana, colocamos nossos galos para brigar no meio do terreiro e ficamos em volta assistindo. Aliás, nos anos 90, na TV Record, passava um futebol de várzea chamado briga de galo. Perfeito! Mas enfim… Pausa para o leitor se posicionar no texto. Pronto! Bola para frente!

O darwinismo deu o pontapé inicial no que tenho a dizer, mas é uma palavra politicamente incorreta para falar da regra máxima do esporte. A palavra politicamente correta é meritocracia. Darwinismo é meritocracia. Mas não uma meritocracia combinada, estabelecida por decreto no Congresso Nacional. Darwinismo é uma meritocracia que vem de fábrica, estabelecida por natureza. Darwinismo é a meritocracia que garante que a meritocracia sempre ganhará o jogo da meritocracia, independente da interpretação do juízo.

Caro cronista, já entendi e já estou arrependido de ter matado as aulas de biologia, mas para de enrolar, pois vim aqui ler sobre futebol e não sobre política, nem mitocôndrias. Qual é o lance? O lance é…

Por isso que ficamos putos com os jogadores da seleção brasileira quando não fazem por merecer o topo da cadeia verde amarela. Seleção brasileira não é cargo político, é o apogeu da meritocracia nacional. Não tem espaço para mentira dentro da camisa da seleção. Não adianta fingir que joga bem. Não adianta fazer conchavo com a bola, nem suborná-la. A bola é imparcial. A trave não se curva. A rede só balança para quem chuta. O drible só acontece por obra da verdade no pé.

Todos torcemos para que surjam tantos craques na política como surgem no futebol. Pessoas que tenham visão de jogo, que sejam capazes de driblar as adversidades, enfrentar os adversários e levar a sociedade brasileira à vitória. Torcemos para que a lei de Darwin vença a lei de Gérson. Torcemos para que a política imite o futebol.

Eis porque ficamos tristes com a seleção. É triste ver o futebol imitando a política. É triste passar um jogo inteiro torcendo para o bom desempenho do árbitro. É triste ver a geração Y errando o ABC. É triste ver a bola nos punindo. E o mais triste de tudo é saber que merecemos.

© 2018 · Marcelo Ferrari