Ryan Lochte nos representa

09/04/2003 by in category Crônicas tagged as , , , with 0 and 0

Assisti no telejornal ontem, que o nadador americano Ryan Lochte, aquele que mentiu sobre ter sido assaltado nas olimpíadas, contratou um gerenciador de crises para salvar sua imagem. Ri para não chorar. Gerenciador de crise para salvar imagem é um jeito chique de dizer marketeiro. Marketing é um jeito chique de dizer mentira. O que Ryan Lochte fez foi contratar um mentiroso melhor que ele para pintar sua cagada de ouro e convencer os olhos de que o rei não está nu.

Bosta tem cheiro de bosta, cor de bosta, gosto de bosta. Pintar a bosta de ouro não muda a natureza da bosta. O problema é que não temos acesso a bosta de verdade. Acreditamos que temos, mas só temos acesso ao que nos dizem da bosta. A bosta que chega até nós, não é a bosta, é a fotografia da bosta. E a fotografia que chega até nós, também não é a fotografia, é o photoshop da fotografia. 

Ryan Lochte contratou um operador de photoshop PHD para deixar ele bem na foto. Primeiro ele tentou photoshopar sua cagada sozinho, mas descobriram as fotos originais. Daí a merda veio a tona. E foi Ryan Lochte no ventilador. Fato contra foto. Ryan Lochte precisou de help.

É triste ver que insistimos na crença de que vamos nos livrar das merdas que fazemos pintando-as de ouro. E não me refiro especificamente ao comportamento do nadador, mas de todos nós. Ryan Lochte não é americano, é humano. O comportamento de Ryan Lochte é nosso. 

#Ryan_Lochte_nos_ representa

Prova disso é fingirmos que não.

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Espalhe a palavra!

AUTOR


Meu nome é Marcelo Ferrari. Nasci ontem. Quando fiz dez anos, completei dezoito. Tenho um chinelo azul com alça vermelha que não serve para poesia. Escrevo o que a inspiração põe e a expiração tira. Não uso heterônimos, sou usado por eles. Só sei ser sendo, dançar dançando, escrever escrevendo e ferrari ferrariando. Minha literatura não é pá pum e pronto! É pá pum escreve. Pá pum lê. Pá pum edita. Pá pum relê. Pá pum reedita. Pá pum rerelê. Pá pum rereedita. Até que pá puta que pari! Nunca estarei ponto! E pronto! Me imagine tocando violão. Sempre. Ininterruptamente.

        

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