Boacumba para salvar a humanidade

25/04/2003 by in category Boacumba, Crônicas tagged as , , with 0 and 0

Ingredientes:

Vergonha (em pó),
2 atitudes (em cápsulas),
1 caneta esferográfica,
1 cartela de etiquetas (24 unidades),
1 mundo inteiro,
2 dúzias de bonecos voodoo,
1 MP3 da música “Manhãs de Setembro” com Vanusa,
1 mochila,
1 caixa de sapatos cheia de esperanças (insetos verdes),
1 estilete
e 1 espelho.

Preparo:

Ainda em jejum, assista o telejornal da manhã. Durante o telejornal, pegue o espelho e olhe no fundo dos seus olhos. Quando terminar o telejornal, passe um pouco de vergonha na cara. Pegue a caixa de sapatos e despeje todos os insetos verdes (esperanças) dentro da mochila. Aliás, não todos. Guarde um dentro do seu bolso. Faça um rasgo no fundo da mochila com o estilete para que os insetos possam escapar. Tome uma atitude. Coloque a mochila nas costas e ande pela cidade. Perca as esperanças na igreja, na prefeitura, na escola, no cinema, no exército, na farmácia, no comércio, no jornal, na cartomante, no banco, no fórum, enfim, em tudo. Fique apenas com a esperança em você. Volte para casa.

Com a caneta esferográfica, escreva o nome das pessoas com quem você mais convive nas etiquetas. Por exemplo: Luiz, Maria, Alberto, Gervásio, Solange, Verônica, etc. Nas últimas sete etiquetas, escreva o nome das sete notas musicais (dó, ré, mi, fá, sol, lá, si). Cole as etiquetas nos bonecos voodoo e espalhe-os ao redor do mundo inteiro. Coloque a música da Vanusa para tocar no ambiente. Pegue o boneco voodoo que recebeu o nome da nota musical “si”. Tome outra atitude. Coloque “si” no lugar dos outros. Por exemplo, coloque “si” no lugar de Luiz, coloque “si” no lugar de Maria, coloque “si” no lugar de Gervásio, coloque “si”no lugar de Solange. Por fim, coloque “si” no lugar do mundo inteiro. Repita tudo até sua esperança decorar a música da Vanusa e os resultados passarem no telejornal.

Leia mais:
Sovaco do Cristo Fui no Cristo Redentor. Segunda vez. Não me lembrava mais do tanto que preci...
Carnaval caipira Donana pega um balde de latão e sai pelo terreiro. Enquanto caminha, vira o...
Morre um pouco Todo homem morre um pouco quando mata se não morre fica louco quando...
Espalhe a palavra!

Marcelo Ferrari


Nasci ontem. Quando fiz dez anos, completei dezoito. Tenho um chinelo azul com alça vermelha que não serve para poesia. Escrevo o que a inspiração põe e a expiração tira. Não uso heterônimos, sou usado por eles. Só sei ser sendo, dançar dançando, escrever escrevendo e ferrari ferrariando. Minha literatura não é pá pum e pronto! É pá pum escreve. Pá pum lê. Pá pum edita. Pá pum relê. Pá pum reedita. Pá pum rerelê. Pá pum rereedita. Até que pá puta que pari! Nunca estarei ponto! E pronto! Me imagine tocando violão. Sempre. Ininterruptamente.

emailferrari@yahoo.com.br
 

    


© 2017 · FERRARIANDO · Marcelo Ferrari
Scroll Up