Quem não é puta levanta a mão

10/04/2003 by in category Crônicas tagged as , , , with 0 and 0

Na prática todos fazemos sexo. Pelo menos todos que fazemos, fazemos. Na teoria quem faz sexo para matar fome de sexo é praticante, quem faz sexo para matar fome de arroz, feijão, bife à milanesa, bolsa da Louis Vuitton – é prostituta. Por que a diferença moral se a prática é a mesma?

Alguns dizem que falta amor. Ou seja, putas são putas por terem aquela qualidade que tanto idolatramos: profissionalismo. Prostituta faz sexo por dinheiro e pronto. Profissionalismo ISO 9000. Tudo ao gosto do cliente: égua, ana, tiazinha, cadela, lolita, roberta. E sem preconceito. O cliente pode ser muçulmano, desdentado, padre, comunista, trissexual, oscambau. Pagou, gozou. Se pagar mais dez leva dose extra de orgasmo.

Por que idolatramos Julio e jogamos bosta na Geni? Será que temos consciência do que significa profissionalismo? Acho que só tem um jeito de saber. Quem não é puta levante a mão! Vamos lá! Quem não abre as pernas por dinheiro? Quem não dança na boquinha da garrafa para ganhar cifrão no sutiã? Se alguém tem consciência virgem aqui, fale agora!

Ninguém! Então por que não paramos com a hipocrisia e capitalizamos a putaria? Quem sabe nos tornamos melhores profissionais. Outra opção é abandonarmos o profissionalismo e trabalharmos só para quem dá tesão de beijar na boca ou carinho de beijar na testa.

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Espalhe a palavra!

Marcelo Ferrari


Nasci ontem. Quando fiz dez anos, completei dezoito. Tenho um chinelo azul com alça vermelha que não serve para poesia. Escrevo o que a inspiração põe e a expiração tira. Não uso heterônimos, sou usado por eles. Só sei ser sendo, dançar dançando, escrever escrevendo e ferrari ferrariando. Minha literatura não é pá pum e pronto! É pá pum escreve. Pá pum lê. Pá pum edita. Pá pum relê. Pá pum reedita. Pá pum rerelê. Pá pum rereedita. Até que pá puta que pari! Nunca estarei ponto! E pronto! Me imagine tocando violão. Sempre. Ininterruptamente.

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