Quando o amor começa

10/04/2003 by in category Crônicas tagged as , , with 0 and 0

Quando estava para ir embora, ela soltou a frase: “O amor começa quando aprendemos a ouvir o outro”. 

Saí ruminando o biscoito chinês. Não havia saliva que o fizesse descer pela goela. A frase ecoava em minha cabeça feito trava língua: “O amor começa quando aprendemos a ouvir o outro amor começa quando aprendemos a ouvir o amor começa quando aprendemos o amor do outro começa quando o amor o amor o amor…” Meus neurônios borbulhavam feito pastilhas Cebion. Até que explodiram na pergunta: “Quando o amor começa?”.

Cheguei em casa e peguei o telefone: “Alô! Sou eu! Sabe aquela frase que você falou? Pois é, acho que… pipipi, popopo…” O ensaio estava bom. Disquei: 500-444. A secretária eletrônica atendeu com voz de homem: “Você ligou para 500-444”. Desliguei. Voz de homem! Foi engano. Antes de rediscar tive outra idéia. “E a divergência não afeta o amor, pois pipipi… popopo”. Redisquei.

O secretário eletrônico atendeu novamente. Tentei uma terceira vez, prestando bastante atenção nos números. Novamente ouvi a voz de trovão do outro lado. O que fazer? Liguei de novo. Assim que a voz gravada disse “deixe seu recado”, respirei fundo e comecei: “Irmão, sei que você não me conhece, mas é o seguinte … (isto, aquilo, etc) … E grato por você me ouvir”.

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