Quando o amor começa

10/04/2003 by in category Crônicas tagged as , , , with 0 and 0

“O amor começa quando aprendemos a ouvir o outro”, ela disse. Virei as costas e saí da frase. Só que a frase não saiu de mim. Grudou. Virou um trava língua dentro da minha cabeça. “O amor começa quando aprendemos a ouvir o outro começa quando o amor aprendemos a ouvir o amor quando começa outro aprendemos o amor quando começa outro ouvir ouvir ouvir ouvir…”

Cheguei em casa com a réplica pronta. “Sabe o que você falou sobre ouvir o outro? Pois então… pápápá, pípípí, pópópó…” O ensaio estava ótimo. Disquei o numero dela. Uma secretária eletrônica atendeu com voz de homem: “Você ligou para pápápá, pípípí, pópópó…”. Desliguei. Voz de homem não! Foi engano.

Redisquei. O secretário eletrônico atendeu novamente. Tentei uma terceira vez, prestando bastante atenção nos números. A voz de trovão persistiu. O que fazer? Quando tocou o bip, comecei: “Meu amigo, sei que você não me conhece, mas pápápá, pípípí, pópópó… E grato por me ouvir”.

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Espalhe a palavra!

Marcelo Ferrari


Nasci ontem. Quando fiz dez anos, completei dezoito. Tenho um chinelo azul com alça vermelha que não serve para poesia. Escrevo o que a inspiração põe e a expiração tira. Não uso heterônimos, sou usado por eles. Só sei ser sendo, dançar dançando, escrever escrevendo e ferrari ferrariando. Minha literatura não é pá pum e pronto! É pá pum escreve. Pá pum lê. Pá pum edita. Pá pum relê. Pá pum reedita. Pá pum rerelê. Pá pum rereedita. Até que pá puta que pari! Nunca estarei ponto! E pronto! Me imagine tocando violão. Sempre. Ininterruptamente.

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