Planeta imagine

11/04/2003 by in category Contos tagged as , , , with 0 and 0

Há muito tempo, no Planeta Dono, havia uma civilização que vivia em busca da propriedade. Ninguém jamais havia visto ou encontrado a tal propriedade, mas todos a buscavam freneticamente. Haviam também lendas, livros, histórias e músicas sobre a propriedade. 

Nada era mais real e importante do que ser dono, então, todas as manhãs, todos os habitantes vestiam roupas de corrida, tênis e percorriam o planeta em busca de propriedades. Nunca encontravam. Voltavam exaustos e frustrados para suas casas. Mas não desistiam.

Falsos encontros aconteciam. Alguns habitantes acreditavam serem donos de esposas, de maridos, de filhos, de fortunas, de cidades, de países, de sociedades, etc. Mas fosse o que fosse, a propriedade sempre sumia do dia para noite. Após cada desaparecimento, eles se perguntavam: “Quem mexeu na minha propriedade?”. Haviam respostas cientificas, filosóficas, antropológicas, místicas, mas nenhuma resolvia.

Na ânsia desesperada de possuírem alguma coisa, os habitantes do Planeta Dono passaram a colidir uns com os outros. Para evitar as trombadas, decidiram se dividir em buscadores de direita e buscadores de esquerda, regidos por leis de trânsito e sob pena de morte.

Foi nessa época, que a civilização do planeta Yellow Submarine veio conversar com os habitantes do Planeta Dono e explicou para eles que propriedade era crença, que só existia dentro da cabeça deles. A princípio, todos repudiaram a explicação, mas como só conseguiam fracassar na busca, aos poucos foram desistindo de acreditar em propriedade. 

E foi assim que o Planeta Dono se transformou no Planeta Imagine. 

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Espalhe a palavra!

AUTOR


Meu nome é Marcelo Ferrari. Nasci ontem. Quando fiz dez anos, completei dezoito. Tenho um chinelo azul com alça vermelha que não serve para poesia. Escrevo o que a inspiração põe e a expiração tira. Não uso heterônimos, sou usado por eles. Só sei ser sendo, dançar dançando, escrever escrevendo e ferrari ferrariando. Minha literatura não é pá pum e pronto! É pá pum escreve. Pá pum lê. Pá pum edita. Pá pum relê. Pá pum reedita. Pá pum rerelê. Pá pum rereedita. Até que pá puta que pari! Nunca estarei ponto! E pronto! Me imagine tocando violão. Sempre. Ininterruptamente.

        

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