Pai ausente

11/04/2003 by in category Crônicas tagged as , , with 0 and 0

Quando meu pai morreu, fiz questão de ir ver o corpo no local do óbito. Queria ver minha reação ao encarar de perto a morte de alguém tão querido. Cheguei no local com bastante apreensão. O pessoal me conduziu até a sala onde ele estava. Mas ele não estava. Seu peito vestia a mesma camisa, mas o sentimento não estava. As mãos continham cinco dedos, mas o toque não estava. O corpo pesava tanto quanto horas antes. O coração, o pulmão e o cérebro estavam no mesmo lugar, mas seu jeito, sua calma, seu humor, sua presença não estavam. Será que algum dia esteve? Me perguntei.

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