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Pá pum próximo!

11/04/2003 by in category Crônicas tagged as , with 0 and 0

Entrávamos parecendo astronautas. Ninguém se assustava. Ninguém nem reparava. Éramos motoboys chegando. Aliás, nem isto, éramos a rotina do cartório, éramos o lado de fora do balcão, o lado de dentro eram os robôs pá-pum-próximo. Mas haviam exceções. Eram pessoas que pareciam enxergar na repetição de balcões, mesas, papéis, carimbos e capacetes, algum tipo de novidade invisível. Chegavam sorridentes, perfumadas e nem entravam na fila, iam direto para uma sala diferente.

Pelo vidro da sala diferente, enquanto as exceções assinavam os documentos do casamento, dava para ver o escriturário coçando o saco e olhando no relógio, louco para dar a hora do almoço. Para as exceções aquele era “o” dia, para o escriturário aquele era um dia, mais um, no qual ele se empenhava em transformar em menos um, no qual ele desejava bater o carimbo: pá-pum-próximo. Foi assim que entendi que toda agenda tem 365 dias, mas nem todo dia está na nossa agenda.

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