Pá pum próximo!

11/04/2003 by in category Crônicas tagged as , , , with 0 and 0

Usávamos capacetes e roupas de chuva. Parecíamos astronautas. Ninguém reparava. Éramos motoboys, éramos a rotina do cartório, éramos o lado de fora do balcão. O lado de dentro eram os robôs pá-pum-próximo.

Documento. Pá-pum-próximo. Documento. Pá-pum-próximo. Documento. Pá-pum-próximo. Documento. Pá-pum-próximo. Documento. Pá-pum-próximo….

Haviam exceções, pessoas que pareciam enxergar na repetição de mesas, papéis, carimbos e capacetes, algum tipo de novidade invisível. Chegavam sorridentes, perfumadas e nem entravam na fila, iam direto para uma sala branca.

Enquanto as exceções assinavam os documentos de matrimonio, dava para ver o escriturário coçando o saco e olhando no relógio. Para as exceções, aquele era o dia, para o escriturário aquele era um dia, mais um, no qual se empenhava em transformar em menos um, no qual desejava bater o carimbo: pá-pum-próximo.

Agenda tem 365 dias, a gente não.

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Espalhe a palavra!

Marcelo Ferrari


Nasci ontem. Quando fiz dez anos, completei dezoito. Tenho um chinelo azul com alça vermelha que não serve para poesia. Escrevo o que a inspiração põe e a expiração tira. Não uso heterônimos, sou usado por eles. Só sei ser sendo, dançar dançando, escrever escrevendo e ferrari ferrariando. Minha literatura não é pá pum e pronto! É pá pum escreve. Pá pum lê. Pá pum edita. Pá pum relê. Pá pum reedita. Pá pum rerelê. Pá pum rereedita. Até que pá puta que pari! Nunca estarei ponto! E pronto! Me imagine tocando violão. Sempre. Ininterruptamente.

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