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Neném sentado no toco

13/04/2003 by in category Crônicas tagged as , , with 0 and 0

O velho sentado no toco me diz: — O véio já andô muito pela estada do mundo. Tudo qué véio hoje já foi novo onti. No começo era ânsia de chega nu pote diouro. Quanto mais pai véio collia pa fente, quelendo se apoxima do holizonte, mais o holizonte corria pa trás, fugindo du véio. E êh! Vida doida! Depois do véio leva muita chibatada da estada do mundo, que nunca termina porque sempre recomeça, o véio desistiu de volta pa casa. Não desitiu por covadia. Num tem chibata que dobre fío de pemba. O véio desitiu poque entendeu que nunca ia chega em casa. Era como varrê folha de avore contra o vento. Foi aí que o véio chegô em casa! O véio desistiu de volta pa casa porque descobriu que já tava em casa. O véio descobriu que a estrada é a casa. O véio voltô a ser neném. Apendeu o caminho dos vivo. Na casa-estrada tudo é vivo. Uma coisa que ucê acha que é xeto agola, pode acha ellado daqui a pouco. Quando ucê é neném, ucê pode caminha pela casa toda sem pecisa fica peso nos canto. Nem-Nem. Nem xeto Nem ellado. Ucê  auedita nuque o cê quise. Igual quiança. Aqueditá num tem pobema. O pobema é quando a gente aquedita que a coisa que tá aqueditando é xeto pa estrada do mundo. Daí que ucê leva. Pá apende e volta pa casa.

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