Música bipolar

14/04/2003 by in category Crônicas tagged as , , with 0 and 0

Sou caipira pirapora. Só aos 15 anos de idade, quando meus pais me mudaram para São Paulo, que descobri que existia elevador e guitarra, até então, só conhecia escada e violão. O rock mais pesado que tocava na minha vitrola infanto juvenil era a trilha sonora da novela Estúpido Cupido. “Bbbbbbbbrrrrrrrrrrrrrr! Eu vou pra Jacarepaguá”. Adorava essa frase! Meu lance com a música já era mais com as palavras do que com as notas. Me lembro da primeira vez que entendi isso. Foi durante um ensaio com uma das bandas que participei na juventude. Cantei um pedaço de uma das músicas da banda para o guitarrista e ele me perguntou: “Que música é essa?”. Fiquei atônito! O cara já tinha tocado aquela música uma centena de vezes. Expliquei que era uma música da banda. Cantarolei novamente. Ele reconheceu a melodia e disse que nunca tinha prestado atenção na letra. Abri a geladeira e uma luz se acendeu dentro de mim. Entendi que música é um refrigerante de consumo bipolar. Assim como naquela história do copo meio-cheio e meio-vazio, tem pessoas que ouvem palavras engarrafadas em notas e tem pessoas que ouvem notas engarrafadas em palavras. Qual é o normal? Bbbbbbbbrrrrrrrrrrrrrr! Não sei! Eu vou pra Jacarepaguá!

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