Mesmo

14/04/2003 by in category Músicas tagged as , , , , with 0 and 0

Mesmo te odiando posso te amar
Mesmo não querendo posso te beijar
Mesmo que com palavras eu não possa lhe falar
Mesmo que eu não consiga eu vou tentar

Mesmo que você me olhe torto assim
Que não queira nem saber de mim
Que pule em meu quintal que pise em meu jardim
Mesmo que você queira o meu fim

Mesmo que interrompa a minha conversa
Que não cumpra com sua promessa
Me frite igual acarajé em óleo de dendê
Mesmo assim eu posso amar você

Mesmo que uma nuvem seca e agreste
Cubra todo o teto azul celeste
Com chuva de areia e tiros de canhão
Mesmo que eu perca a visão

Mesmo que você me atire ao precipício
Que mande uma carta bomba com um míssil
Com ogivas nucleares e cheiro de enxofre
Tão fortes quanto os socos de Eder Jofre

Mesmo que eu perca a conta e a paciência
E que o faz de conta acabe em violência
Mesmo que eu apanhe que não sai perder
Mesmo assim eu posso amar você

Mesmo que você puxe o meu tapete
Que em minha cara esfregue um sorvete
Na hora da foto com apenas dois dedinhos
Você me faça um par de chifrinhos

Mesmo que me cause uma taquicardia
Fazendo do meu coração bateria
Que tudo se transforme em barrancos e trancos
E meus cabelos fiquem todos brancos

Mesmo que me passe uma grande rasteira
Que tome sempre a minha dianteira
Que pise no meu calo fazendo ele doe
Mesmo assim eu posso amar você

Mesmo que você quebre os meus discos
Que pinte a parece fazendo rabiscos
Que use o meu pijama pra fazer pano de prato
Que faça um bigodinho em meu retrato

Mesmo durante uma serenata
Atire em minha cabeça uma lata
Que acabe com a festa bem na hora do bolo
Jogando sobre as velas um tijolo

Mesmo que você nunca compreenda
Esse amor de graça e sem encomenda
Que pense ser em vão por não corresponder
Mesmo assim eu posso amar você

Créditos

   

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Espalhe a palavra!

AUTOR


Meu nome é Marcelo Ferrari. Nasci ontem. Quando fiz dez anos, completei dezoito. Tenho um chinelo azul com alça vermelha que não serve para poesia. Escrevo o que a inspiração põe e a expiração tira. Não uso heterônimos, sou usado por eles. Só sei ser sendo, dançar dançando, escrever escrevendo e ferrari ferrariando. Minha literatura não é pá pum e pronto! É pá pum escreve. Pá pum lê. Pá pum edita. Pá pum relê. Pá pum reedita. Pá pum rerelê. Pá pum rereedita. Até que pá puta que pari! Nunca estarei ponto! E pronto! Me imagine tocando violão. Sempre. Ininterruptamente.

        

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