Mantra do meditador

14/04/2003 by in category Crônicas tagged as , , with 0 and 0

Abri a porta e entrei no nariz latejante. Virei nariz. Ao invés da dor diminuir, aumentou, insuportavelmente. Eu era um nariz doendo. Não tinha pé, nem orelha, nem boca. Eu era só nariz. Doendo. Latejando.

“Pula dentro!”. Como assim? “Pula dentro da dor!”. Não mesmo! Nemfodendo! “Quer continuar sofrendo?”. Também não. “Então pula dentro da dor!”. Pior não podia ficar.

Decidi seguir o conselho. Pulei dentro da dor. Imagine um sonrisal se dissolvendo na água. Quanto mais eu mergulhava na dor, mais me dissolvia nela. Até que me tornei a própria dor e a dor desapareceu. Como não havia nada além de dor, não havia sequer dor. “Quanto mais a dor chega, mais a dor passa. Quanto mais a dor passa, mais eu permaneço. Quanto mais eu permaneço, maior é meu triunfo”.

Nunca mais perdi a porta de vista, nem me esqueci do borbulhante mantra.

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