Mantra do meditador

14/04/2003 by in category Crônicas tagged as , , , with 0 and 0

Abri a porta e entrei no nariz latejante.

Virei nariz. Ao invés da dor diminuir, aumentou, insuportavelmente. Eu não tinha pé, nem orelha, nem boca. Eu era só nariz. Doendo. Latejando.

Pula dentro!

Como assim?

Pula dentro da dor!

Não mesmo! Nemfodendo!

Quer continuar sofrendo?

Também não.

Então pula dentro da dor!

Pior não podia ficar. Decidi seguir o conselho. Pulei dentro da dor. Quanto mais eu mergulhava na dor, mais me dissolvia nela. Até que me tornei a própria dor e a dor desapareceu. Como não havia nada além de dor, não havia sequer dor.

Foi nesse dia que entendi: “Quanto mais a dor chega, mais a dor passa. Quanto mais a dor passa, mais eu permaneço. Quanto mais eu permaneço, maior é meu triunfo”.

Nunca mais perdi a porta de vista, nem me esqueci o mantra.

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Marcelo Ferrari


Nasci ontem. Quando fiz dez anos, completei dezoito. Tenho um chinelo azul com alça vermelha que não serve para poesia. Escrevo o que a inspiração põe e a expiração tira. Não uso heterônimos, sou usado por eles. Só sei ser sendo, dançar dançando, escrever escrevendo e ferrari ferrariando. Minha literatura não é pá pum e pronto! É pá pum escreve. Pá pum lê. Pá pum edita. Pá pum relê. Pá pum reedita. Pá pum rerelê. Pá pum rereedita. Até que pá puta que pari! Nunca estarei ponto! E pronto! Me imagine tocando violão. Sempre. Ininterruptamente.

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