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Mama mia africana

14/04/2003 by in category Crônicas tagged as , , , with 0 and 0

Uma loja de discos, perto de casa, resolveu promover pocket shows para aumentar as vendas. Eu sempre ia assistir, afinal, os shows não exigiam retirada de dinheiro do pocket. O publico nunca passava de um punhado de gatos descapitalizados como eu. Deve ser por isto que a loja faliu. Mas enfim, certo dia, quase na hora do show começar, um neguinho que estava conversando na platéia, subiu no palco, pegou o violão do artista convidado e começou a tocar. Até ai tudo bem. O pior foi quando o neguinho começou a cantar. Mama mia africana! A música não vinha da goela do neguinho, nem do diafragma, nem do pulmão, vinha do útero dele. Só uma prostituta com mel nas veias para conseguir parir tantas dores com aquela espontaneidade e doçura. Olhei para os lados procurando o artista convidado. Nada. Comecei a desconfiar que foi o artista convidado que pediu para o neguinho cantar “Beradêro”. Atendendo a pedidos, o neguinho iniciou… “Os olhos tristes da fita rodando no gravador…” E parou. Levantou os óculos de John Lennon e passou a chorar Like a Rolling Stone. Me disseram que o neguinho era de Catolé do Rocha. Du.vi.de.o.dô. De rocha aquele neguinho não tinha nada. Parecia progesterona derretida. E fez todo mundo progesteronar junto com ele. Eu inclusive. Progesteronei do Oiapoque ao Chui. Progesteronei porque entrou uma bala no meu corpo. E não foi bala de coco.

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